terça-feira, 10 de outubro de 2017

Leituras: "Carrie", de Stephen King

Com o recente lançamento de três filmes baseados nas suas obras (It, A Torre Negra e também Gerald's Game na Netflix), não podemos negar que Stephen King é um escritor que está na moda e que conquista um maior número de fãs a cada dia que passa. Já falei sobre ele várias vezes aqui no blogue, especialmente quando escrevi sobre o filme e o livro Misery, que foi o penúltimo que li deste autor. 
Recentemente, a Editora Bertrand lançou uma nova edição de outra das suas obras: Carrie. Contactei a Editora e falei com pessoas muito simpáticas - às quais agradeço desde já - que me enviaram um exemplar para ler e partilhar aqui neste espaço. Por isso, hoje venho falar-vos deste pequeno livro.


Antes de mais, tenho de referir o facto de Carrie ter sido o primeiro livro de Stephen King, lançado em 1974. Podemos ver que a escrita deste homem é diferente até mesmo no início da sua carreira. Às vezes pode parecer um pouco confusa, mas acreditem em mim quando vos digo que no final da leitura vão perceber tudo.
Esta obra apresenta-nos Carrie White, uma adolescente que vive com a sua mãe, Margaret, em Chamberlain no Maine. Margaret é uma fanática religiosa louca que a maltrata para que esta siga as suas crenças. 
Quando Carrie vai para a escola, é uma rapariga muito tímida e torna-se num alvo de chacota por parte dos colegas. No início da história, aparece-lhe pela primeira vez a menstruação e ela não sabe o que se está a passar. Claro que esta situação peculiar faz com que a rapariga seja bastante rebaixada e gozada pelas colegas, especialmente por Chris Hargensen e Sue Snell, duas raparigas bastante populares. No entanto, o que ninguém sabe é que Carrie tem poderes telecinéticos e consegue mover objetos apenas com a mente, por isso quando esta fica nervosa começam a acontecer coisas muito estranhas.  
A certo momento, Sue arrepende-se de ter gozado com Carrie e pede ao namorado que a convide para ir ao baile da escola, para que a jovem assim se sinta especial. Quando é convidada, Carrie pensa que é tudo uma brincadeira, mas acaba por aceitar, o que leva a um desfecho bastante trágico.
Neste livro, à medida que a narrativa se vai desenrolando, vai sendo intercalada com pequenos excertos de notícias e testemunhos referentes ao caso da protagonista e ao fenómeno da telecinesia. Isto ajuda a trazer a história para o mundo real, ao mesmo tempo que vai entregando pistas acerca do final. A leitura é bastante dinâmica, com diálogos rápidos e simples e acontecimentos que nos mantêm agarrados ao livro. 
Como referi em cima, a história começa de uma maneira estranha, que nos leva logo a perceber que Carrie não é uma pessoa normal. Simpatizamos com ela e desejamos saber mais sobre os seus poderes e sobre a sua infância. Infelizmente, a personagem não é muito desenvolvida e apenas ficamos a saber o básico sobre ela. 
Enquanto Carrie ganha a nossa empatia, as outras personagens (especialmente Chris Hargensen) são apenas merecedoras do nosso ódio. As crueldades descritas neste livro fazem-nos pensar se existem realmente pessoas assim tão más, que apenas ficam felizes com a miséria alheia. Também Margaret, a mãe, é capaz de nos deixar chocados com as suas atitudes. Aliás, a meu ver, o "terror psicológico" deste livro está precisamente presente nesta personagem. Os jogos mentais que ela faz com Carrie, convencendo a filha de que certas atitudes é que são boas e outras são más, tornam-se ridículos, mas assustadores. 
Carrie é uma obra que explora muitos temas que ainda são atuais. Fala sobre bullying, sobre fanatismos religiosos e também reflete sobre as responsabilidades da Escola e da Família. Neste caso, muitas coisas que acontecem podiam ter sido evitadas se tanto a Escola como a Família tivessem ajudado a jovem. Por exemplo, percebemos logo que Carrie não sabe o que é a menstruação porque nunca aprendeu nada sobre isso antes e quando começa a sangrar, pela primeira vez, pensa que está a ter uma hemorragia - se soubesse o que estava a acontecer, teria uma reação diferente que mudaria os acontecimentos seguintes. 
É uma leitura bastante agradável e diferente, mas que nos deixa com vontade de ler mais. Quando terminamos o livro sentimos um pequeno vazio, mas ficamos também com a certeza de que vamos recordar a jovem Carrie para sempre.

Mais uma vez, quero agradecer à Editora Bertrand pela simpatia e por me terem enviado um exemplar deste livro. 😊

12 comentários:

  1. Nunca li o livro, mas vi os dois filmes e gostei. A história é um clássico!
    E realmente explora temas que continuam a fazer parte do dia a dia, de uma forma ou de outra, infelizmente!

    Beijinho grande e boa Quarta-feira <3
    https://demantanosofa.blogspot.pt/

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    1. Eu só vi o filme antigo e quero rever em breve e ver também o mais recente! :)

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  2. Não são o meu género de leituras, mas para os fãs do género sei que o autor é uma referência =)

    MRS. MARGOT

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  3. Vi o filme mais recente mas o livro nunca li! Parece-me uma excelente leitura. :D
    Beijinhos, The Fancy Cats

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    1. Eu só vi o antigo. Tenho de ver o mais recente em breve. Li que não era tão bom...

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  4. Eu tive o prazer de ver o filme e amei! mas o livro ainda não..
    Acho que há muitas raparigas no mundo como ela, ela apenas teve a capacidade de virar o jogo, chama-se justiça.
    :D

    beijinho
    www.trendsandfashionblog.pt

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    1. Exatamente! Mas depois as coisas acabaram por também não correr assim muito bem para o lado dela...

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  5. I haven't seen either movie version or read the book yet

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