quinta-feira, 1 de fevereiro de 2018

"A Forma da Água" em análise

Continuando na onda dos nomeados aos Óscares, hoje venho falar do filme que conta com um maior número de nomeações este ano. A Forma da Água é o novo filme do genial Guillermo Del Toro, que provavelmente vai receber o Óscar de Melhor Realizador - eu, pelo menos, estou a torcer para que isso aconteça!


The Shape Of Water apresenta-nos Elisa, uma mulher órfã e muda que trabalha nas limpezas de um centro de investigações do governo americano nos anos 60. É aí que ela conhece uma criatura aquática (um “homem-anfíbio”) que se encontra prisioneira e pela qual acaba por se apaixonar.
Na minha opinião, este é um filme com bastantes contrastes, a começar logo pelo facto de Elisa aparentemente ser uma pessoa inocente e indefesa, que não está feliz com a sua vida, e esta criatura ser monstruosa. Já para não dizer que a criatura pertence à água e Elisa pertence à terra. Ou seja, o amor entre eles é praticamente impossível, mas o romantismo e a fantasia fazem com que tudo seja concretizável. A partir do momento em que a mulher consegue ensinar linguagem gestual a este “homem-anfíbio”, dá-se inicio a uma magnífica história de amor que só podia ter sido realizada por Del Toro.


O filme é capaz de nos cativar logo desde início devido ao seu argumento e, essencialmente, por toda a beleza visual. É tudo pensado ao pormenor, desde os cenários até à caracterização da própria criatura – que mesmo sendo um “monstro” tem um ar dócil, ao contrário dos humanos que pretendem usá-la para experiências (por exemplo, também podemos estabelecer um contraste entre o "vilão" e a criatura e seria caso para perguntar: “Quem é o monstro, afinal?”).
Sally Hawkins interpreta Elisa, numa representação fantástica, de se lhe tirar o chapéu. Na verdade, ela é um dos grandes destaques deste filme e este é, provavelmente, o melhor papel de sempre na sua carreira.
No geral, A Forma da Água é um filme visualmente muito bonito e com grandes prestações. Uma história de amor e fantasia, capaz de conquistar qualquer pessoa. Agora resta apenas saber se é capaz de conquistar a Academia e de levar um Óscar para casa.
8/10 

quarta-feira, 31 de janeiro de 2018

"Chama-me pelo teu nome" em análise

“Chama-me pelo teu nome, que eu chamo-te pelo meu”. Esta tornou-se numa das frases mais famosas nas últimas semanas e por bons motivos. Call Me By Your Name é um dos filmes do momento e está agora a caminho dos Óscares. Apresenta-nos uma história de amor entre dois rapazes, mas não se fica apenas por aí...


Elio é um rapaz que pertence a uma família abastada que vive no Norte de Itália. Oliver é um rapaz recém-graduado que vai passar um Verão com essa família. Ao som de várias músicas dos anos oitenta, os dois acabam por viver uma verdadeira história de amor, com muitos pêssegos à mistura.
Tenho de admitir que quando vi este filme pela primeira vez (entretanto, já vi três vezes) achei logo que tudo estava incrível, desde as paisagens às interpretações e sem esquecer o cuidado que houve na escolha das músicas que acompanham a narrativa.
Se há algo que está muito presente no filme é a Arte. Logo desde início, são-nos apresentadas várias estátuas que nos mostram a anatomia masculina e que dão um sentido um tanto erótico (mas sempre de uma maneira delicada) ao filme. A Arte Clássica, na verdade, é bastante importante aqui e existe uma cena magnífica em que Elio e Oliver vão à procura de uma estátua que há muitos anos estava desaparecida. Pessoalmente gosto bastante desta cena porque nos leva para uma zona geográfica diferente. Grande parte do filme passa-se na vila onde Elio mora e a maioria das cenas são mesmo na casa, mas esta cena e a cena final são em zonas distintas.
Por falar na casa de Elio, tudo o que nos é mostrado é visualmente belo. Ficamos imediatamente com uma vontade enorme de viajar para o Norte de Itália e de viver naquela casa, rodeada pela natureza e com rios por perto.


Como já disse, outra das coisas que mais gostei no filme foi a escolha das músicas. Nem todas são dos anos oitenta, mas todas foram pensadas para serem adequadas a cada momento. Se prestarmos alguma atenção às letras das canções, é fácil perceber que estão diretamente relacionadas com o que está a acontecer. Para além disso, as músicas de Sufjan Stevens que acompanham as cenas finais tornam o filme ainda mais interessante.
Agora, se há algo que quem viu o filme achou bastante interessante foi a cena do pêssego. Não querendo falar muito sobre isso para não estragar a experiência a quem ainda não o viu, digo apenas que os pêssegos são ainda mais importantes do que pode parecer à primeira vista!
Ao falar do filme, é inevitável falar da prestação dos protagonistas. Timothée Chalamet e Armie Hammer formam este casal homossexual e toda a química entre eles é visível e merecem o maior dos destaques. Certamente, Call Me By Your Name não seria o excelente filme que é se estes dois não se tivessem empenhado ao máximo.


Chama-me Pelo teu Nome resulta numa verdadeira carta de amor ao Cinema. Deviam ser feitos mais filmes assim: que nos deixam com vontade de viajar, de nos apaixonar, de ser feliz e, acima de tudo, de aproveitar todos os momentos o máximo possível.
Acredito que por esta altura muitos de vocês já viram o filme e, por isso, resta-me apenas recomendá-lo a quem ainda não o vi.
10/10