quinta-feira, 7 de setembro de 2017

"Outlander": amor em dois tempos

Na terça feira passada tive a excelente oportunidade de ir assistir à antestreia mundial da terceira temporada da série Outlander, numa sessão muito especial no Cinema com direito a um sorteio de prémios (no qual não ganhei nada). 
Tenho de ser sincera com vocês e admitir que este foi o primeiro episódio que vi desta série. Já conhecia de nome e também sabia que era inspirada em alguns livros, mas nunca tinha visto um único episódio. Sabia lá eu o que andava a perder...


Outlander conta a história de Claire, uma mulher que foi enfermeira na Segunda Guerra Mundial e que certo dia, após assistir a um ritual, é transportada para o século XVIII. É aí que conhece Jamie, um homem por quem se apaixona, o que deixa o seu coração dividido. Acontece que Claire era casada com Frank, um historiador, mas depois desta misteriosa viagem no tempo vai ser incapaz de conciliar as vidas que leva em cada século.
A série é visualmente magnífica, com lindas paisagens. Tem uma banda sonora que nos lembra imediatamente a Escócia, como podem perceber logo através da canção de abertura.
Ainda me falta muito para chegar até à terceira temporada, mas decidi partilhar a série com vocês. Se não conhecem, experimentem ver. Tenho a certeza de que vão adorar tanto quanto eu! 
A nova temporada chega a Portugal no dia 17 deste mês. Até lá ainda tenho algum tempo para ver todos os episódios anteriores!

E vocês? Já conheciam Outlander? São fãs da série?

"Una" em análise

Chega hoje às salas de Cinema o filme Una - Negra Sedução, inspirado na peça de teatro Blackbird de David Harrower. É um filme de Benedict Andrews que promete chocar.


Una - Negra Sedução conta a história de uma rapariga de treze anos que tinha relações sexuais com o seu vizinho, Ray. Anos mais tarde, quando ela já é adulta, decide confrontá-lo. Encontra uma fotografia do homem num jornal e descobre onde ele trabalha. Vai até ao local e pergunta-lhe o porquê de ele a ter abandonado e se ele realmente a amava ou se ela tinha sido apenas uma das crianças com quem ele tinha estado. Acontece que agora Ray é tratado por Peter e é um homem casado que tentou esquecer tudo o que tinha tido com esta rapariga. Mas depressa percebemos que os sentimentos que ele nutria por ela não tinham realmente desaparecido.
O filme começa com uma cena bastante psicadélica (que sinceramente até me custou um pouco ver) em que Una está numa discoteca. Percebemos desde logo que ela é uma pessoa que ficou traumatizada com o que viveu e que por isso perdeu a vontade de viver. Parece que apenas Ray é a sua motivação. 
Quando esta vai ter com ele, podemos pensar que tem apenas a intenção de mostrar o mal que ele lhe causou. Porém, mostra rapidamente que ainda está apaixonada por este homem. 
É uma obra bastante chocante que fala de temas como a pedofilia e o possível amor entre uma criança e um adulto. Chega mesmo a ter momentos de diálogos repugnantes, mas somos capazes de simpatizar com as personagens e podemos mesmo acreditar que realmente tudo o que se passou entre eles era amor.
Enquanto filme, achei apenas razoável. Acredito que seja bastante melhor representado em Teatro, visto que até foi inspirado numa peça. Preciso, no entanto, de destacar a excelente performance da atriz Rooney Mara. Está impecável e é capaz de transmitir toda a raiva, amor, desespero e tristeza de Una. 
Também nomes como Ben Mendelsohn, Riz Ahmed (do filme Star Wars - Rogue One) e Tobias Menzies (da série Outlander) fazem parte do fantástico elenco deste filme.
Una - Negra Sedução chega hoje às salas de Cinema.
6/10 ⭐

terça-feira, 5 de setembro de 2017

"El Vampiro", um filme de 1957

Hoje tive a oportunidade de ir assistir ao filme mexicano El Vampiro na Cinemateca, pois houve uma sessão especial deste devido ao MOTELX


Conta a história de uma rapariga, Marta, que quer voltar à sua terra natal, Sicomoros, porque uma das suas tias, María Teresa, estava doente. É impedida de apanhar o comboio que a leva à vila e conhece Enrique, um homem que se vê na mesma situação que ela. Ao passar um homem com uma carroça pedem boleia e assim conseguem ir até Sicomoros. 
Assim que chega, Marta recebe a notícia de que a sua tia tinha morrido, o que a deixa bastante triste. Enrique está com ela, e, mesmo sendo praticamente um desconhecido, é convidado a passar a noite naquela casa, onde habitam Eloisa e Emílio, tios de Marta. 
Depressa percebemos que a tia Eloisa é uma vampira que teve mão na "morte" de María Teresa. Surge, então, "el vampiro", o Senhor Duval. Um homem com um ar elegante, sempre vestido de preto, que é cúmplice de Eloisa e que deseja conhecer Marta, para lhe propor a compra da casa de Sicomoros. 
Coisas sobrenaturais começam a acontecer e a despertar o interesse de Enrique, que descobrimos ser um médico chamado para tratar a tia María Teresa, que entretanto havia falecido. Dizia-se que a tia tinha ficado maluca e que afirmava constantemente que existiam ali vampiros. Marta começa a perceber que a tia tinha razão e os sarilhos começam por esta altura. 
Este filme é de 1957, ou seja, é bastante antigo, a preto e branco e com o suspense tão característico destes filmes de Terror que já têm alguns anos. O exagero dramático é acentuado pela música, mas é impossível não soltar algumas risadas - com isto quero dizer que, atualmente, não mete medo a ninguém (e mais uma vez questiono-me se na altura terá assustado e, desta vez, acredito piamente que sim). 
Aborda o tema dos vampiros, como seres imortais que se alimentam do sangue das suas vítimas. Apresentam a típica imagem dos vampiros: pele clara, dentes aguçados, roupas negras, compridas e com grandes golas. 
A maneira como o filme é feito mostra perfeitamente o tempo que já passou por ele. Realizado numa época sem grandes tecnologias, podemos ver todos os cortes que foram feitos no filme: existem várias mudanças de tons, ruídos na imagem ("chuva")... Tudo o que é esperado. Destaco também os fios que são visíveis a agarrar os morcegos falsos, apenas porque acho que é um pormenor interessante. 
Se gostam de filmes antigos como eu, não posso deixar de vos recomendar este. A história é bastante engraçada e é um filme que nos leva para outros tempos do Cinema. 

domingo, 3 de setembro de 2017

"Dawn Of The Dead", de George A. Romero + MOTELX

Ontem deu-se o "Warm Up" do MOTELX, o festival de Cinema de Terror, com a exibição do filme Dawn Of The Dead (1978) do realizador George A. Romero, que esteve presente na edição de 2010 e que, infelizmente, morreu no passado mês de Julho. Portanto, começamos o MOTELX com uma bela homenagem, ao ar livre, no Largo de São Carlos em Lisboa.

(...) My granddad was a priest in Trinidad. He used to tell us, "When there's no more room in hell, the dead will walk the Earth."
Dawn Of The Dead mostra os Estados Unidos numa altura em que os mortos invadem a Terra, depois de uma epidemia ter transformado as pessoas em zombies. Como é habitual, as causas são desconhecidas. 
Um grupo de quatro pessoas (os agentes Peter e Roger e um piloto, Stephen, e a sua namorada, Frances) refugiam-se num Centro Comercial, onde também existem vários mortos-vivos. No entanto, passado algum tempo, são descobertos por outro grupo que deseja conquistar o lugar. Depois da chegada destes, as coisas complicam-se para os nossos protagonistas. 
Este filme já é bastante antigo, por isso podem esquecer o tipo de zombies que estão habituados a ver em séries como The Walking Dead. Aqui são bastante simples, apenas com umas pinturas meio acinzentadas/azuladas e com um sangue mais para o cor de laranja do que para o encarnado. Em tom de brincadeira posso dizer que parecem ser uns zombies simpáticos, até porque alguns têm um ar bastante tolinho. Ou seja, não metem medo e muito menos fazem impressão. Até têm bastante piada. No entanto questiono-me se as pessoas que viram o filme quando foi lançado também pensam isto. Provavelmente na altura eram bastante assustadores! 
Quanto à história do filme, também ela é engraçada. Admito que adoro a ideia de viver num Centro Comercial, e se por acaso virem o filme acho que vão concordar comigo. Basicamente os protagonistas têm ali tudo à mão: armas, roupa, remédios e até tinta para pintar as paredes dos quartos. O filme tem uma cena deliciosa que mostra o que eles fazem quando não estão a matar zombies. Dedicam-se a escolher roupa, a treinar tiros em manequins e a jogar numa sala de jogos. 
Tudo isto para dizer que, mesmo sendo um filme de zombies (o que eu pessoalmente adoro!), torna-se bastante engraçado e é um clássico, portanto é bastante recomendável. 


Agora, relativamente ao evento de ontem, onde foi exibido o filme. Tal como já disse foi no Largo de São Carlos e foi ao ar livre e de entrada gratuita. Organizado pelo MOTELX, em modo de homenagem ao George Romero, o consagrado realizador de filmes de zombies. A noite prometia ser assustadora e com muito sangue. De facto, acabou por haver muito sangue para beber! Serviram imensa comida e bebida: cachorros em que a salsicha vinha cortada em forma de dedo e sumos que eram servidos em copos com a identificação do tipo de sangue (O+, A+, AB+...). Foi uma excelente iniciativa para dar início ao festival que vai decorrer entre o dia 5 e 10 de Setembro. 
Se forem fãs deste tipo de filmes e tiverem interesse em saber mais, podem visitar o site do MOTELX. Deixo-vos aqui também o cartaz dos filmes que vão ser exibidos, na sua maioria no Cinema de São Jorge. Os preços variam entre os 2€ e os 5€. 
Bons filmes e cuidado com os zombies!

sexta-feira, 1 de setembro de 2017

"O Guarda-Costas e o Assassino" em análise

The Hitman's Bodyguard é uma comédia dramática realizada por Patrick Hughes que conta com um elenco de luxo. Mas serão as caras conhecidas presentes neste filme suficientes para o tornarem bom?


Michael Bryce, interpretado por Ryan Reynolds, é um agente que fica responsável por defender e proteger Darius Kincaid (Samuel L. Jackson), um assassino que cometeu imensos homicídios a mando do seu ex-patrão e ditador, Dukhovic, e que decide testemunhar contra este na Holanda. 
Chegar à sala de tribunal é um objetivo que se revela uma tarefa difícil, visto que estão constantemente a ser perseguidos pelos homens de Dukhovic, em várias tentativas de impedir que toda a verdade seja revelada.
Este é um filme de comédia que por vezes tem cenas dramáticas que, na minha opinião, parecem saídas de outro filme. A personagem de Gary Oldman, Dukhovic, é diferente de tudo o resto, tanto que pode tornar-se um bocado confusa. Já as personagens principais, são cómicas. Não seria de esperar outra coisa vinda dos atores Ryan Reynolds e Samuel L. Jackson, que mostram sempre um humor característico. Reynolds interpreta um agente que por algum motivo me lembrou imenso a sua personagem Deadpool. Já Jackson faz o papel de um assassino que passa a vida a dizer asneiras e que me lembra, por exemplo, os papéis deste em filmes do Tarantino.
Para mim uma das surpresas deste filme foi a presença da atriz Salma Hayek, que tem uma personagem forte que está presa inocentemente (será que é assim tão inocente?). As cenas em que ela aparece, por muito poucas que sejam, são divertidas de se ver. Acredito, no entanto, que se aparecesse muito mais seria saturante.
Outra das presenças neste filme que tenho de destacar é a do português Joaquim de Almeida, que tem uma personagem misteriosa. É difícil perceber logo se ele é bom ou mau e só no final do filme é que isso é revelado.
Também é preciso referir a banda sonora, com várias músicas bastante conhecidas que na maneira como são apresentadas dão um tom engraçado ao filme e que me surpreenderam à medida que iam começando a tocar.
O Guarda-Costas e o Assassino foi o filme que eu estava à espera que fosse. Tem a sua piada, mas não é nada de mais. Acredito que os fãs dos actores principais vão adorar, mas de resto achei um pouco fraco. É mais do mesmo e suponho que daqui a uns tempos vai ser um daqueles filmes que passam repetidas vezes nos canais de televisão aos sábados e domingos à tarde. Por enquanto, podem vê-lo nos cinemas.
6/10 ⭐

quinta-feira, 31 de agosto de 2017

"Wind River" em análise

Wind River é um filme de Taylor Sheridan que conta com Jeremy Renner e Elizabeth Olsen nos papéis principais. É uma obra delicada que mostra um tema sério e também os sentimentos das pessoas de uma cultura há muito tempo esquecida.


Cory Lambert, interpretado por Jeremy Renner, é um caçador que é chamado para encontrar e matar os predadores que tinham morto alguns animais em Wind River. No entanto, enquanto está a fazer o seu trabalho dá de caras com o corpo de uma rapariga nativo-americana que reconhece rapidamente. Trata-se de Natalie, a melhor amiga da filha. Congelada e longe de tudo.
Depressa o FBI é chamado ao local do crime. É então que surge Jane (Elizabeth Olsen), uma agente recém formada que nunca tratou de um caso como este e que nem sequer está preparada para este sítio para onde foi enviada, como é visível através da falta de roupa que ela leva. Devido à sua falta de experiência, acaba por pedir ajuda a Cory, que, sendo um bom caçador, é excelente a encontrar pistas. 
Jane ao inicio parece ser uma personagem fraca, mas torna-se precisamente no contrário. Já Cory, é bastante complexo, com um passado que faz com que queira ajudar Jane a encontrar os verdadeiros culpados pela morte de Natalie, até porque também conhecia a família da rapariga e sente uma enorme ligação com aquela comunidade indígena. 
O filme tem paisagens de cortar a respiração e raros são os momentos em que a neve deixa de cair. Numa cena, Jane diz algo como: "devem ter-se esquecido de lembrar que já estamos na Primavera". Aproveitando esta parte do diálogo, posso dizer que Wind River de facto acaba por ser uma zona um pouco esquecida e não só pelo tempo distinto. Ora, ali só existem nativo-americanos, que desde cedo foram ignorados pelo Governo. O filme mostra isso: uma comunidade diferente que não foi aceite. Até quando a agente chega a casa dos pais de Natalie, a maneira como o pai lhe responde confirma isso. Percebemos que tem orgulho nas suas raízes, mas que sente tristeza pela falta de apoios.
Wind River não é só sobre resolver um caso de homicídio. É um filme sobre uma comunidade e também sobre um homem que foi pai e está a lutar contra o seu sofrimento.
Os atores estão excelentes nos papéis. Para mim foi a melhor prestação que vi por parte do Jeremy Renner como também da Elisabeth Olsen. As personagens estão credíveis numa maneira incrível.
Infelizmente o filme não foi tão divulgado como merecia e por isso pode não ter feito muito sucesso, mas asseguro-vos que é um filme a não perder. Está atualmente nos cinemas, mas só em algumas salas. 100% recomendável!
8/10 ⭐

domingo, 13 de agosto de 2017

"Annabelle - A Criação do Mal" em análise

Annabelle - A Criação do Mal é a prequela de Annabelle, que, por sua vez, é uma prequela do Conjuring. É um filme realizado por David F. Sandberg - realizador que já está relacionado com filmes de terror, pois também dirigiu o Lights Out - que mostra a origem da boneca Annabelle e a maneira como esta foi possuída.


O filme Annabelle (de 2014) mostrou como é que esta boneca malvada foi parar às mãos de Mia e John, um casal que estava à espera da primeira filha e que viu a sua vida complicar-se depois de Annabelle ter ido parar às estantes do quarto da bebé e depois de assistirem ao assassinato dos seus vizinhos. É fundamental ver este filme antes de assistir a Annabelle - A Criação do Mal, porque existem partes de ligação entre os dois.
Tal como o nome indica, este segundo filme de Annabelle vem mostrar a sua origem, o que nos leva até à família Mullins. Samuel e Esther Mullins perderam a sua filha Annabelle - ou Bee, como eles lhe chamavam - num trágico acidente. Mais tarde, mais precisamente doze anos depois, decidem receber na sua casa várias raparigas que viviam num Orfanato e também a Irmã Charlotte que cuida delas. Deste grupo, destacam-se Janice e Linda, duas amigas que sonham ser adotadas pela mesma família para conseguirem ficar juntas para sempre.
Já na casa dos Mullins, Janice é avisada que não pode entrar num quarto que tem a porta trancada. Mas, certa noite, recebe vários bilhetes e descobre que a tal porta está aberta. Quando entra percebe que é o quarto da filha dos Mullins, que tinha morrido, e encontra uma boneca fechada num armário. A partir daí, várias coisas estranhas começam a acontecer.
Annabelle - A Criação do Mal é um filme de terror e essencialmente de suspense. Pessoalmente não achei muito assustador, mas várias pessoas na sala gritaram em diversas partes. Assim sendo, não recomendo a quem não aprecia este género de filmes.
A história é boa, mas na minha opinião podia ser mais aprofundada. É interessante perceber como é que a boneca, feita pelo próprio Samuel Mullins, ficou possuída e se tornou num objecto demoníaco. Mas existem várias pontas soltas ao longo do filme que podiam ser melhor exploradas. Já para não dizer que o final acontece demasiado rápido.
O elenco de Annabelle - A Criação do Mal é composto, no geral, por raparigas muito jovens, que estiveram realmente muito bem nos seus papéis, mais uma vez dou destaque às personagens Janice e Linda, interpretadas por Talitha Bateman e Lulu Wilson, pois acabam por ser as principais do filme.
Em comparação com o primeiro filme de Annabelle, gostei mais deste, principalmente por causa do ambiente em que se insere. A história passa-se muito antes, num ambiente muito mais vintage, que se relaciona muito melhor com a própria boneca Annabelle.
No geral foi um bom filme, apenas fico triste por ter acabado tão rápido (tem 1h50m de duração, mas o tempo passa mesmo a voar) e por ter deixado algumas pontas soltas.
7/10 ⭐