sexta-feira, 28 de julho de 2017

Baú de filmes (1): "O Resgate do Soldado Ryan"

Há dois anos atrás, tive a oportunidade de fazer uma viagem à zona da Normandia, em França. Grande parte da Segunda Guerra Mundial passou-se aqui, pois era a principal zona de desembarque dos soldados americanos e britânicos. Depois de ter visto o filme Dunkirk na semana passada, as memórias destas férias ficaram ainda mais vivas. Durante o filme não consegui deixar de me lembrar de muitas coisas que vi. Mas esta obra do realizador Christopher Nolan passa-se noutro ponto do mapa, que, mesmo sendo uma zona parecida, fica longe dos sítios onde estive. Por isso, decidi rever um grande clássico do cinema, realizado pelo grande Steven Spielberg em 1998 (um ano depois de eu ter nascido), O Resgate do Soldado Ryan.


O filme conta a história de um grupo de soldados que recebe uma missão: encontrar um soldado chamado James Ryan e levá-lo para casa. Os seus irmãos morreram todos em batalha e imaginar a dor de uma mãe ao perder todos os seus filhos faz com que vários soldados arrisquem a vida para encontrar esta pessoa que para eles é apenas um nome. 
O início do filme passa-se na zona da Normandia. Os primeiros segundos são mesmo filmados no Cemitério e Memorial Americano de Omaha Beach. Esta é, no entanto, a única parte que é realmente filmada em França. Tudo o resto foi gravado em Inglaterra ou na Irlanda. 
Neste filme somos constantemente confrontados com a morte. Existem muitas cenas de bombardeamentos e tiros. Se não suportam ver sangue, este filme não é para vocês. É tudo real e nada está censurado. Mostra o pior da Guerra de uma maneira que poucos filmes são capazes de fazer. E depois de cada morte, há sempre a revolta contra o inimigo, o que acaba sempre por causar mais mortes. São momentos de puro horror em que presenciamos o pânico, a dor e o sofrimento.
Quase tudo aqui pode ser considerado verídico: as batalhas estão muito idênticas ao que realmente aconteceu e os planos também são os mesmos, os barcos usados no início são como os que invadiram Omaha Beach no Dia-D, o "mar de sangue" é realista e até mesmo os uniformes são iguais aos dos soldados que lá combateram na vida real. Mas as personagens e muitos dos lugares são fictícios, ainda que inspirados em pessoas e localizações reais. Não existiu nenhum Ranger chamado John Miller, nem nenhum James Francis Ryan. No entanto, esta segunda personagem foi inspirada em Frederick "Fritz" Niland, que foi o único sobrevivente de quatro irmãos e cuja mãe recebeu as notificações da morte dos três ao mesmo tempo - tal como acontece no filme. Também Romelle, o lugar onde acontece a última batalha do filme e onde se encontrava o soldado Ryan, não existe.
O filme é quase todo composto por cenas de plena guerra, mas por vezes existem momentos mais calmos. É de destacar a cena em que quatro soldados estão sentados numa escadaria a fumar, a conversar e a ouvir músicas de Edith Piaf, enquanto um dos homens, que percebe francês, vai traduzindo as letras das canções.

(Podem ver esta parte clicando aqui)

Relativamente ao elenco, contamos com nomes de peso do Cinema: Tom Hanks, Matt Damon, Vin Diesel, Jeremy Davies, entre muitos outros.
Este filme conta, como muitos outros do realizador Steven Spielberg, com uma banda sonora composta por John Williams, que é fantástica e acompanha as cenas de ação na perfeição.
O Resgate do Soldado Ryan é um filme com História que também fez História. Um essencial para aqueles que gostam do género e também para quem quer conhecer melhor o passado.

Com esta publicação, vou iniciar uma rubrica aqui no blogue, à qual decidi chamar Baú de filmes, em que vou ver ou rever trinta filmes que foram grandes êxitos no Cinema. Espero que gostem e que se sintam inspirados para ver estas obras também!

quinta-feira, 27 de julho de 2017

"Valerian e a Cidade do Mil Planetas" em análise

Estreia hoje o novo filme de Luc Besson, realizador do famoso filme de ficção científica O Quinto Elemento e também de Lucy. Valerian e a Cidade dos Mil Planetas é inspirado na coleção de banda desenhada que conta as aventuras de Valerian e Laureline. 


O filme começa com uma cena visualmente muito bonita em que podemos ver o Planeta Mül, em que uma comunidade - as Pérolas - vive em paz. A apresentação destas personagens é curta, mas é um momento cheio de cores vivas e com criaturas que são capazes de conquistar os nossos corações em segundos. A ação, e existe muita ao longo do filme, só começa quando este Planeta é destruído e de seguida somos levados ao encontro do Major Valerian e da sua parceira Laureline que trabalham para o Governo. Somos apresentados à fantástica cidade de Alpha, que está em constante evolução e que é formada por todas as criaturas que existem no universo. No entanto, a vida em Alpha está ameaçada, porque alguém pretende destruir as espécies que lá existem. 
Valerian e Laureline são parceiros, mas ele quer algo mais e existem vários momentos de humor relacionados com isto, se bem que nem sempre resultam como era suposto. Existem partes do filme que foram feitas para roubar uma gargalhada ao público mas isso nem sempre aconteceu. Na minha opinião, também a química entre as personagens falhou. Pessoalmente, gostei de os ver enquanto parceiros que se apoiam e que se ajudam, mas sinto que faltava qualquer coisa para serem aquilo que o Valerian realmente quer. 
No papel dos dois protagonistas temos Dane DeHaan e a modelo Cara Delevingne. Eu esperava que a personagem Valerian se sobressaísse, porém gostei mais de ver a personagem da Cara. Acho que a atriz se adequou melhor ao papel. 
Tal como referi logo no início, o filme tem cenas visualmente muito bonitas. Para além do Planeta das Pérolas, que tem cores muito brilhantes e cristalinas, também as imagens das naves, do céu estrelado e, principalmente, da Cidade dos Mil Planetas são muito boas de se ver. A mistura de cores e de efeitos que me assustou quando vi o trailer pela primeira vez resultou, afinal, muito bem. 
As criaturas presentes no filme tanto são encantadoras como horrorosas, mas não deixam de ser originais. Destaco o "Conversor", que, para além de ser extremamente amoroso, acaba por ser muito importante na história.
Ao longo do filme, podemos ver algumas referências a alguns êxitos do Cinema e também vamos ao encontro de vários famosos que entraram no elenco. É de destacar a cantora Rihanna, que tem um momento só para si. Eu diria que este é um dos tais casos que são agradáveis à vista, mas é só isso. Ela faz algo importante por uns minutos e antes disso temos uma espécie de "apresentação" mais da própria cantora do que da personagem em si - porque é tão idêntica à Rihanna que somos levados para muito longe da ficção. É interessante, mas o filme é longo e no final sentimos que existem partes que são desnecessárias e que parece que existem apenas para prolongar o tempo de duração. 
Apesar dos vários aspectos negativos que realcei aqui, penso que ver este filme é uma boa experiência, especialmente se for visto em 3D. Posso garantir que os efeitos estão realmente muito bons e a mistura de cores é incrível. Só por isso vale a pena, mas também a história acaba por ser agradável.
6/10 ⭐

quarta-feira, 26 de julho de 2017

Ainda sobre o "Dunkirk"...

Como já devem ter percebido, o filme Dunkirk não me deixou indiferente, até porque sou uma grande fã do realizador Christopher Nolan. Tenho sempre um grande interesse em saber como os filmes são feitos e descobri há bocado que o crítico de cinema Peter Travers entrevistou o realizador no seu programa Popcorn. Decidi deixar aqui a entrevista, para quem estiver interessado em ver. É muito interessante, fluída e explica muitas coisas do filme.

"Planeta dos Macacos: a Guerra" em análise 🐵

A trilogia Planeta dos Macacos chega agora ao fim com “Planeta dos Macacos: a Guerra”. Matt Reeves, que já tinha realizado o segundo filme, apresenta-nos agora o terceiro capítulo. Andy Serkis - actor conhecido especialmente por ter feito a personagem Gollum, em O Senhor dos Anéis - volta a dar vida a Caesar, o líder dos macacos.


Para começar, o grupo de Caesar sofre várias baixas e é isso que desperta o desejo de vingança no líder. Tal como o nome indica, tudo vai conduzir a uma Guerra contra os humanos, retomando o final do filme anterior, "Planeta dos Macacos: o Confronto". Se calhar, e não querendo arruinar este momento para quem ainda não viu o filme, imaginamos que vai haver uma Guerra enorme: com muito sangue, muitas mortes, muitas armas... De facto, é isso que acontece, mas não da maneira que pensávamos que ia ser. Antes desta parte, vemos imagens dos macacos presos, num sítio que relembra os Campos de Concentração. Também aqui estes são obrigados a trabalhar, são torturados e mortos. O ódio entre humanos e macacos está definitivamente estabelecido. A diferença é que os macacos são capazes de mostrar misericórdia, ao contrário do Coronel que comanda todos os soldados, homens e mulheres. 
Tal como nos outros filmes, a nossa atenção centra-se nos macacos e os humanos estão longe de ser tão interessantes. No entanto vou destacar aqui a personagem da rapariga loira que aparece e que, mais tarde, ganha um nome. Primeiro porque é, de um certo modo, importante para atingir o final: é ela que dá força a um dos protagonistas para que este nunca desista. Segundo, porque o filme tem momentos entre ela e os macacos que são extremamente amorosos e agradáveis de ver. Ela pode ser considerada a Paz no meio da Guerra. Pessoalmente, adorei as cenas entre ela e o orangotango Maurice, que admito ser a minha personagem favorita - pela sua personalidade bondosa e pela sua maneira de pensar; é um excelente conselheiro e está sempre ao lado de Caesar. 
Relativamente a aspectos mais técnicos, digamos assim, a banda sonora é fundamental para atingir um bom grau de suspense, para além de nos prender ainda mais a atenção. Temos momentos em que ela está presente, mas mal nos apercebemos disso. E depois temos momentos em que apenas ouvimos o som dos instrumentos e sabemos que algo importante vai acontecer.
Também os maravilhosos efeitos do filme e a excelente qualidade de imagem são para destacar. Mas para realçar isso, vou recorrer a um vídeo do behind the scenes, em que podem assistir à aplicação do CGI em Andy Serkis. Certamente vai fazer com que queiram ver este filme!


Para terminar, recomendo a visualização deste filme que, na minha opinião, foi o melhor dos três e um grande desfecho para a trilogia. Como é óbvio, sugiro que, caso não tenham visto, assistam primeiro aos dois capítulos anteriores: "Planeta dos Macacos: a Origem" e "Planeta dos Macacos: o Confronto". 
8/10 ⭐

segunda-feira, 24 de julho de 2017

Correspondência por Correio

Hoje em dia, com tantas novas tecnologias que nos facilitam a vida, já quase ninguém envia cartas. Pode ser caro, demora muito tempo e dá trabalho. Mas o que poucos sabem é que ainda existe uma comunidade enorme de pessoas que ainda escrevem no papel e vão enviar envelopes cheios de amor aos Correios.
Há uns anos atrás, por mero acaso, descobri um site chamado Postcrossing, que desde logo pareceu-me interessante. Através deste site, depois de estarmos registados (para fazer o registo é preciso colocar a morada), podemos receber postais vindos de todos os cantos do mundo. É muito simples: no site há uma parte que diz "enviar um postal" e, assim que clicamos aí, é-nos dada uma morada completamente aleatória e um código que devemos escrever no postal que vamos enviar. Depois de uma longa viagem, o vosso correspondente vai receber o postal e vai registá-lo de seguida no site - através do tal código. Por cada postal que enviam, recebem um. Ou seja, assim que a pessoa faz o registo, a vossa morada é atribuída a outra pessoa. 
Durante muitos anos enviei e recebi postais através do Postcrossing, mas depois de algum tempo comecei a ficar triste porque as pessoas para quem eu enviava postais nunca respondiam. Então, decidi procurar algo diferente: alguma coisa que realmente permitisse uma correspondência constante, sempre com a mesma pessoa. 
Através do Instagram, descobri que existem muitas pessoas a enviar cartas. Para as encontrar basta procurar as hashtags #penpal, #snailmail, #penpalswanted, entre muitas outras. Quando procuram pela última, aparecem-vos pessoas à procura de penpals. "E o que é isso?", provavelmente questionam-se vocês neste momento. É simples: é um correspondente. E através desta rede social, depois de encontrarem alguém, basta enviar uma mensagem privada a essa pessoa para confirmar se ela está realmente interessada em enviar-vos cartas. De seguida é só escolherem quem vai enviar primeiro e trocarem as moradas. Pode parecer complicado, mas é tudo muito fácil!
Agora passemos à parte de escrever a carta em si. Basicamente só precisam de uma folha de papel, de uma caneta e de um envelope. Mas para tornarem tudo mais interessante podem fazer mail art, que, basicamente, é a arte de decorar as vossas cartas: podem usar autocolantes, fazer colagens ou desenhos, usar canetas ou folhas coloridas, decorar com washi tapes (fita cola decorativa)... Deem asas à imaginação! Lembrem-se que é sempre bom perceber que alguém se dedicou a fazer uma coisa para vocês. Não esperem receber uma carta muito boa se apenas enviam uma carta aborrecida! Eu digo sempre: "enviem algo que também gostariam de receber". 
Penso que também é preciso falar das vantagens de enviar cartas! Ainda que não haja muitas que posso referir. Eu diria que está mais no prazer de enviar e receber coisas escritas à mão. Enviar um e-mail ou uma mensagem é muito mais fácil, dá menos trabalho e não gasta tanto. Mas as cartas têm outro valor. Para alguém receber uma carta é necessário que outra pessoa deposite um enorme carinho naquilo que está a fazer. Um e-mail é algo momentâneo; uma carta é algo que vocês podem guardar numa caixa durante anos e mais tarde voltar a reler. E depois é também a viagem enorme que estas fazem para chegar aos correspondentes. É preciso paciência e há sempre aquela curiosidade de saber se a pessoa vai gostar ou não. Mas vocês podem fazer amizades enormes através disto. Posso referir um caso meu: uma penpal minha veio à zona onde eu moro no ano passado e eu fui ter com ela para fazer uma visita guiada pela vila e foi um dia muito engraçado porque a nossa amizade deixou de ser só através do papel. Tenho a certeza que através dos vossos correspondentes podem conhecer muito mais do mundo! E acreditem em mim quando digo que abrir a caixa do Correio e ter lá uma carta para nós (que não seja para pagar a eletricidade) é uma sensação muito boa!

sexta-feira, 21 de julho de 2017

"Dunkirk" em análise

Christopher Nolan - conhecido por ter realizado a famosa trilogia do Batman: O Cavaleiro das Trevas, Inception e Interstellar, entre outros - traz-nos esta sua versão única e moderna deste momento histórico que foi a "Operação Dynamo" durante a Segunda Guerra Mundial. Dunkirk é filmado na sua maioria com câmaras IMAX.


Encurralados pelos soldados alemães, cerca de 400.000 homens ingleses e franceses não tinham por onde fugir a não ser pelo mar. Depois de uma ordem de Winston Churchill, vários barcos - de grande e pequeno porte - foram buscá-los. 
A partir do primeiro segundo do filme somos transportados para as Praias de Dunquerque, no norte de França. Muitos filmes de Guerra fazem sempre uma pequena introdução, uns momentos mais suaves, e só depois é que começam as cenas mais intensas, na maioria das vezes em campos de batalha. Aqui temos pânico e horror logo desde o inicio e sentimos que estamos a viver tudo aquilo na primeira pessoa, tal é o realismo do filme. 
Para filmar Dunkirk, foram usadas câmaras IMAX de 70mm que têm uma qualidade muito superior às de 35mm normalmente utilizadas. Nunca nenhum realizador antes tinha filmado desta maneira e Nolan é dos poucos que são capazes de o fazer, como o próprio explica.
“Very few people have ever done that before, and no one has ever shot as much IMAX as we’re doing. Most of the film is IMAX. With every film we’ve learned more and more how to maximize our ability to use those cameras, and we found ways to get those cameras into very unusual places for a camera that size, but the image quality speaks for itself. I think it’s going to be an extremely exciting presentation, particularly in those IMAX theaters.” - Christopher Nolan em entrevista à Fandango
Para além da qualidade de imagem, também o som é de extrema importância. Primeiro temos todos os barulhos que são essenciais num filme deste género: as balas, as bombas, os motores dos aviões, o vento, as ondas do mar... É de destacar o som dos motores dos Spitfires, que nas salas IMAX parece que passam mesmo por cima das nossas cabeças e faz com que tudo estremeça à nossa volta. Mas o que marca a diferença em Dunkirk é também a sua banda sonora, composta por Hans Zimmer, que é tão intensa como as situações vividas no filme. Há quem diga que Christopher Nolan é o Hans Zimmer do Cinema e Hans Zimmer é o Christopher Nolan da Música. Seja como for, os dois juntos são capazes de atingir a perfeição. 
No filme temos cenas de salvamentos, de fugas em barcos e temos também as cenas de aviação, que merecem um grande destaque. Para a sua realização foram necessárias várias câmaras: interiores, que filmam o piloto e tudo o que acontece dentro do avião, e exteriores, que mostram as laterais do avião e tudo o que está atrás dele - os aviões dos inimigos, por exemplo, quando estes não se apresentam num ângulo morto.
Relativamente aos atores presentes, Nolan escolheu jovens, de modo a tornar tudo mais realista. A maior parte dos soldados que estiveram na Batalha de Dunquerque eram rapazes de vinte anos e, para Nolan, não fazia sentido colocar um ator de trinta anos a fazer o papel de um rapaz de dezanove. As caras que aqui estão presentes não são muito conhecidas, com exceção de Harry Styles - que, no entanto, era desconhecido pelo realizador. Para Fionn Whitehead (um dos protagonistas), por exemplo, este é o seu primeiro grande filme e foi uma surpresa quando foi escolhido nos castings. Curiosamente, ambos afirmaram que pouco representaram pois tudo era uma reação natural ao que ia acontecendo. De resto, temos também o oposto: caras que já nos são familiares dos filmes de Nolan, como é o caso de Cillian Murphy e Tom Hardy, que interpretaram dois dos vilões da trilogia do Batman.
Dunkirk é por várias razões um grande filme que vai ser recordado durante muitos anos, tanto por motivos históricos como pela fantástica realização, imagem e som. É capaz de nos prender como nenhum outro antes foi capaz de o fazer e, acima de tudo, mantem a História viva. Não é apenas um filme de Guerra, é um filme sobre sobrevivência. É uma experiência única no Cinema.
Para terminar, deixo aqui um excerto das palavras de Churchill depois da evacuação: 
"(...) Lutaremos até ao fim. Lutaremos na França. Lutaremos nos mares e oceanos, lutaremos com confiança crescente e cada vez mais força no ar. Defenderemos a nossa ilha, seja qual for o custo. Lutaremos nas praias, lutaremos nos terrenos de desembarque, lutaremos nos campos e nas ruas, lutaremos nas colinas; nunca nos renderemos (...)"
8/10 ⭐ 

quinta-feira, 20 de julho de 2017

"To the Bone" em análise

Depois de Okja, foi lançado no dia 14 de Julho este novo filme criado pela Netflix. To The Bone - ou, em português, O Mínimo para Viver - apresenta-nos Ellen, uma rapariga de vinte anos que sofre de anorexia. Antes do lançamento deste filme, a Netflix já tinha estreado a série 13 Reasons Why em que também somos confrontados com temas fortes - no caso dessa, o suicídio. 


Lily Collins veste a pele de Ellen, que, antes de mais, é uma artista. Dá muita importância à arte e faz desenhos que publica no seu Tumblr. Um dos pontos importantes do filme está precisamente relacionado com isto. Ellen, que mais tarde prefere ser tratada por Eli - porque o seu nome não se adequava à sua personalidade -, tem uma visão diferente da vida e os seus desenhos refletem isso. A sua perspetiva levou ao suicídio de uma rapariga que a seguia e este aspecto é referido várias vezes durante o filme e pode ter sido um dos vários factores que levaram Ellen até à anorexia. Também a sua relação com os seus familiares está longe do normal e de início parece que ninguém entende realmente o seu problema. 
A cada dia que passa a rapariga está mais magra. Existe até um momento em que a sua mãe diz que ela parece um fantasma. O problema é bastante visível e, por essa razão, Ellen vai a um médico que a leva a desafiar a doença. E é a partir daí que começa realmente a sua luta pela vida. 
O filme apresenta várias cenas que podem ser consideradas perturbadoras. Vemos o corpo extremamente magro da personagem, a enorme acentuação das costelas, o rápido crescimento dos pelos nos braços: todas as consequências da busca por um "corpo ideal" ou, como é óbvio, todos os efeitos da doença.
Lily Collins, que também teve problemas alimentares quando era mais nova, teve de perder peso para protagonizar este filme. Existe uma parte em que a personagem mete o polegar e o indicador à volta do braço e os dedos tocam-se - é uma maneira de mostrar o quão magra ela está.
Eli não tem interesse nenhum pela vida, tal como acontece a muitas pessoas que também sofreram de anorexia. To The Bone não pretende romantizar este problema; mostra tudo de uma maneira realista e direta, o que pode chocar muitas pessoas.
O único ponto negativo deste filme está talvez no final, que de inicio parece um pouco confuso. Mesmo estando tudo em aberto, podemos ter uma ideia do que poderá acontecer a seguir. Infelizmente, a maioria das pessoas que o viram ficaram desiludidas com esta parte - podia ter um fim mais explícito, mas de um certo modo está a par com a doença, porque nunca sabemos bem o que pode acontecer a seguir (tanto podemos estar bem ou mal) e assim cada um é capaz de imaginar uma continuação para Eli.
Por fim, ainda que não esteja muito relacionada com tudo o que acima está escrito, fica aqui uma das frases mais marcantes do filme.
"People say they love you. But what they mean is they love how loving you makes them feel about themselves." - Eli. 
6/10 ⭐