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domingo, 4 de fevereiro de 2018

"The Post" em análise

Steven Spielberg é, sem dúvida alguma, um dos meus realizadores favoritos. Por isso, admito que estava bastante curiosa em relação ao seu novo filme: The Post. O filme conta com Meryl Streep e Tom Hanks nos papéis principais, o que também aumentou as minhas expectativas. 


Baseado numa história verídica, este é um drama que se centra na improvável parceria entre Katharine Graham, a primeira mulher na liderança de um dos principais jornais norte-americanos – o Washington Post – e Ben Bradlee, o editor do jornal, na corrida com o New York Times para expor um dos maiores segredos governamentais, relacionado com os Pentagon Papers que mostram que vários presidentes americanos mentiram sobre a Guerra do Vietname. A divulgação deste segredo resultará num grande escândalo.
The Post mostra-nos, acima de tudo, o Poder do Jornalismo e homenageia a liberdade de imprensa. Ao vermos este filme, é inevitável fazermos um paralelo com a atualidade, em que Donald Trump tenta controlar os media, que segundo ele fazem "fake news" que influenciam a população.
O filme é precisamente sobre as repercussões que as notícias podem ter e reflete sobre se publicar algo secreto é ou não o correto. Por isso, o clima do filme é maioritariamente de tensão, com muitos encontros discretos e muitos telefonemas, que nos levam a sentir a dedicação dos jornalistas do The Post e a determinação de Katharine Graham.


Ao longo da trama podemos ver um grande desenvolvimento na personagem de Meryl Streep, que no início é uma mulher um pouco tímida e no final compromete-se (e ao seu jornal) quando decide publicar as provas que põem em causa o Governo. Torna-se numa personagem muito forte e numa verdadeira fonte de inspiração. Por sua vez, Tom Hanks interpreta aqui o jornalista que a incentiva. No final do filme sentimos que gostaríamos que existissem mais cenas somente com estes dois, para que fosse possível ver ainda uma maior interação entre eles.


Talvez por ter grandes nomes a ele associados (Spielberg, Streep e Hanks), levamos grandes expectativas para o The Post e podemos ficar um tanto desiludidos. Infelizmente, apesar de ser muito bom, o filme é um tanto superficial. É um filme que, podemos dizer, é "seguro". Excelente para esta época de prémios, mas será que daqui a uns meses alguém ainda se vai lembrar dele?
7/10 ⭐

quinta-feira, 1 de fevereiro de 2018

"A Forma da Água" em análise

Continuando na onda dos nomeados aos Óscares, hoje venho falar do filme que conta com um maior número de nomeações este ano. A Forma da Água é o novo filme do genial Guillermo Del Toro, que provavelmente vai receber o Óscar de Melhor Realizador - eu, pelo menos, estou a torcer para que isso aconteça!


The Shape Of Water apresenta-nos Elisa, uma mulher órfã e muda que trabalha nas limpezas de um centro de investigações do governo americano nos anos 60. É aí que ela conhece uma criatura aquática (um “homem-anfíbio”) que se encontra prisioneira e pela qual acaba por se apaixonar.
Na minha opinião, este é um filme com bastantes contrastes, a começar logo pelo facto de Elisa aparentemente ser uma pessoa inocente e indefesa, que não está feliz com a sua vida, e esta criatura ser monstruosa. Já para não dizer que a criatura pertence à água e Elisa pertence à terra. Ou seja, o amor entre eles é praticamente impossível, mas o romantismo e a fantasia fazem com que tudo seja concretizável. A partir do momento em que a mulher consegue ensinar linguagem gestual a este “homem-anfíbio”, dá-se inicio a uma magnífica história de amor que só podia ter sido realizada por Del Toro.


O filme é capaz de nos cativar logo desde início devido ao seu argumento e, essencialmente, por toda a beleza visual. É tudo pensado ao pormenor, desde os cenários até à caracterização da própria criatura – que mesmo sendo um “monstro” tem um ar dócil, ao contrário dos humanos que pretendem usá-la para experiências (por exemplo, também podemos estabelecer um contraste entre o "vilão" e a criatura e seria caso para perguntar: “Quem é o monstro, afinal?”).
Sally Hawkins interpreta Elisa, numa representação fantástica, de se lhe tirar o chapéu. Na verdade, ela é um dos grandes destaques deste filme e este é, provavelmente, o melhor papel de sempre na sua carreira.
No geral, A Forma da Água é um filme visualmente muito bonito e com grandes prestações. Uma história de amor e fantasia, capaz de conquistar qualquer pessoa. Agora resta apenas saber se é capaz de conquistar a Academia e de levar um Óscar para casa.
8/10 

quarta-feira, 31 de janeiro de 2018

"Chama-me pelo teu nome" em análise

“Chama-me pelo teu nome, que eu chamo-te pelo meu”. Esta tornou-se numa das frases mais famosas nas últimas semanas e por bons motivos. Call Me By Your Name é um dos filmes do momento e está agora a caminho dos Óscares. Apresenta-nos uma história de amor entre dois rapazes, mas não se fica apenas por aí...


Elio é um rapaz que pertence a uma família abastada que vive no Norte de Itália. Oliver é um rapaz recém-graduado que vai passar um Verão com essa família. Ao som de várias músicas dos anos oitenta, os dois acabam por viver uma verdadeira história de amor, com muitos pêssegos à mistura.
Tenho de admitir que quando vi este filme pela primeira vez (entretanto, já vi três vezes) achei logo que tudo estava incrível, desde as paisagens às interpretações e sem esquecer o cuidado que houve na escolha das músicas que acompanham a narrativa.
Se há algo que está muito presente no filme é a Arte. Logo desde início, são-nos apresentadas várias estátuas que nos mostram a anatomia masculina e que dão um sentido um tanto erótico (mas sempre de uma maneira delicada) ao filme. A Arte Clássica, na verdade, é bastante importante aqui e existe uma cena magnífica em que Elio e Oliver vão à procura de uma estátua que há muitos anos estava desaparecida. Pessoalmente gosto bastante desta cena porque nos leva para uma zona geográfica diferente. Grande parte do filme passa-se na vila onde Elio mora e a maioria das cenas são mesmo na casa, mas esta cena e a cena final são em zonas distintas.
Por falar na casa de Elio, tudo o que nos é mostrado é visualmente belo. Ficamos imediatamente com uma vontade enorme de viajar para o Norte de Itália e de viver naquela casa, rodeada pela natureza e com rios por perto.


Como já disse, outra das coisas que mais gostei no filme foi a escolha das músicas. Nem todas são dos anos oitenta, mas todas foram pensadas para serem adequadas a cada momento. Se prestarmos alguma atenção às letras das canções, é fácil perceber que estão diretamente relacionadas com o que está a acontecer. Para além disso, as músicas de Sufjan Stevens que acompanham as cenas finais tornam o filme ainda mais interessante.
Agora, se há algo que quem viu o filme achou bastante interessante foi a cena do pêssego. Não querendo falar muito sobre isso para não estragar a experiência a quem ainda não o viu, digo apenas que os pêssegos são ainda mais importantes do que pode parecer à primeira vista!
Ao falar do filme, é inevitável falar da prestação dos protagonistas. Timothée Chalamet e Armie Hammer formam este casal homossexual e toda a química entre eles é visível e merecem o maior dos destaques. Certamente, Call Me By Your Name não seria o excelente filme que é se estes dois não se tivessem empenhado ao máximo.


Chama-me Pelo teu Nome resulta numa verdadeira carta de amor ao Cinema. Deviam ser feitos mais filmes assim: que nos deixam com vontade de viajar, de nos apaixonar, de ser feliz e, acima de tudo, de aproveitar todos os momentos o máximo possível.
Acredito que por esta altura muitos de vocês já viram o filme e, por isso, resta-me apenas recomendá-lo a quem ainda não o vi.
10/10 

quarta-feira, 13 de dezembro de 2017

"A Casa Torta" em análise

A Casa Torta é o segundo filme baseado numa obra de Agatha Christie que é lançado este ano e enquanto fã da escritora acho que não podia estar mais feliz! Depois de Um Crime No Expresso do Oriente, chega agora até nós este filme que foi realizado por Gilles Paquet-Brenner e com um argumento de Julian Fellowes - o criador da série Downton Abbey


A trama do filme começa quando o abastado patriarca grego Aristide Leonides morre em circunstâncias suspeitas e a sua neta, Sophia, pede a Charles Hayward, um detetive privado que por acaso também é o seu ex-namorado, que investigue o caso. Charles decide fazer este “favor” a Sophia e vai até à casa dos Leonides, onde encontra todos os familiares do morto num ambiente cheio de rancor e ciúme. O detetive tem, assim, a difícil tarefa de descobrir quem foi o assassino, nesta casa onde todos parecem suspeitos e onde existem pistas por todo o lado. 
O principio do filme, no qual vemos Aristide a ser envenenado, dá-se logo numa onda de mistério que deixa o espectador a pensar em quem será o assassino. Claramente, o início pretende dar-nos pistas erradas, que afastam as nossas suspeitas do verdadeiro assassino e o facto de estarmos a seguir essas pistas falsas deixa-nos curiosos e bastante atentos até à grande revelação. 
Este é um filme cheio de twists: se num momento acreditamos que o assassino é uma certa personagem, no momento a seguir já pensamos que é outra. Ao contrário de muitos outros, nada é previsível! Não basta estarmos atentos aos pormenores, porque os pormenores aqui enganam e o final acaba por ser surpreendente. 
No que toca ao elenco, temos poucas caras conhecidas do grande publico, mas entre elas estão Gillian Anderson, Glenn Close, Christina Hendricks e Max Irons. 
Penso que este é um filme incrível para quem gosta de policiais!
7/10 ⭐

sábado, 9 de dezembro de 2017

"The Disaster Artist" em análise

Hoje vamos começar por fazer uma curta viagem no tempo e para nos situarmos vamos até 2003, o ano em que foi lançado aquele que é considerado um dos piores filmes de sempre: The Room - escrito, realizado, produzido e protagonizado por Tommy Wiseau, um artista que queria sempre ser o mais original possível.
The Room apresentava uma história simples sobre um homem, Johnny (interpretado pelo próprio Tommy Wiseau), que foi traído pela namorada, Lisa, que se apaixonou pelo seu melhor amigo, Mark. Logo por aqui percebemos que o filme não é nada de especial, mas o que o marcou ainda mais negativamente foi a péssima representação de Wiseau.
Na verdade, o facto de o filme ser tão mau fez com que este se tornasse numa espécie de objeto de culto e ainda hoje em dia, mais de dez anos depois, The Room é capaz de esgotar sessões. 


Assim chegamos ao The Disaster Artist, que conta precisamente a história que está por trás da criação do The Room. Realizado e protagonizado por James Franco, o filme tem um elenco cheio de estrelas, no qual também temos presente Dave Franco, no papel de Greg Sestero (o ator que fez de Mark no filme original.
Tommy Wiseau e Greg Sestero são dois amigos que foram para Hollywood. Como não conseguiam arranjar empregos como atores, Tommy decidiu escrever um guião e fazer um filme com Greg. Para ajudar, Wiseau tinha uma conta recheada de dinheiro - que até hoje ninguém sabe de onde veio.


O filme inicia-se com várias entrevistas a atores e realizadores que tão bem conhecemos e que ali mostram a sua admiração pelo The Room. Ou seja, logo o início é capaz de nos arrancar algumas gargalhadas. Mas é a partir do momento em que James Franco aparece pela primeira vez como Tommy Wiseau, a fazer uma cena do filme Um Elétrico Chamado Desejo, que percebemos que estamos perante um filme repleto de grandes interpretações. E, felizmente, ao contrário da sua inspiração, o The Disaster Artist definitivamente não é um desastre. 


Todas as cenas mais memoráveis do The Room estão aqui presentes e fielmente imitadas. Mas o mais interessante são mesmo as cenas que mostram como foram os bastidores do filme original. Ver as repetidas tentativas falhadas de Tommy Wiseau a representar é pura e simplesmente hilariante – e neste aspeto temos de dar todo o mérito a James Franco.
Ao longo do filme, também nos vão sendo apresentadas as reações ao The Room e, no final, percebemos que o The Disaster Artist não pretende apenas mostrar os pontos negativos da produção do filme.
Este filme não desaponta os fãs do The Room (e admito que estou incluída neste grupo) e, para além disso, certamente vai ser do agrado mesmo daqueles que nunca antes tinham ouvido falar deste "grande artista" chamado Tommy Wiseau. Agora questiono-me: será que o "The Disaster Artist" vai estar na corrida aos Óscares? Espero bem que sim.
9/10 ⭐

sábado, 25 de novembro de 2017

"Liga da Justiça" em análise

A famosa Liga da Justiça da DC Comics está, finalmente, reunida no grande ecrã. Um filme em grande parte realizado por Zack Snyder, mas que também teve mão de Joss Whedon (que podemos facilmente associar ao filme Os Vingadores da Marvel).


Depois dos acontecimentos de Batman vs Superman, o mundo teve de aprender a lidar com a morte do carismático Super-Homem. No entanto, surge agora uma ameaça que mete em causa o futuro da humanidade. Então, Bruce Wayne – o Batman – decide juntar uma equipa de meta-humanos, juntamente com a sua recente aliada, Diana Prince – a Mulher-Maravilha.
Recuando ao filme Batman vs Superman, foi através de ficheiros recolhidos por Lex Luthor (um dos vilões desse filme) que Bruce Wayne teve conhecimento da existência de Flash, Aquaman e Cyborg – os heróis que vão formar a Liga da Justiça.
Neste filme é-nos apresentado o vilão Steppenwolf que, juntamente com os seus “parademónios” (criaturas que parecem insetos e que se alimentam com o medo das pessoas), tem o objetivo de encontrar três “Motherboxes” (ou, em português, Caixas Maternas) que há muitos anos estavam escondidas em Atlântida, Themyscira e… no corpo de Cyborg - prometo que explico isto mais à frente. Com estas três caixas, o vilão pode acabar com os humanos e este é o seu grande desejo.


Provavelmente se os “parademónios” existissem mesmo na vida real, eu tinha sido comida por eles, tal era o meu medo deste filme. Enquanto admiradora das bandas desenhadas da DC Comics, fico sempre com receio das adaptações cinematográficas (e, sinceramente, nos últimos tempos estas nem sempre têm corrido bem). Posso adiantar, desde já, que no final do filme fiquei feliz por não ser tão mau quanto eu estava à espera.
Infelizmente, o vilão do filme é muito fraco. Com tantos vilões excelentes, penso que este não foi uma escolha feliz. Consequentemente, a história do filme também é fraca e praticamente inexistente. Resume-se a um vilão que quer destruir os humanos e anda ali à batatada com os heróis que o querem impedir. Mas nem tudo é mau. O facto de o vilão ser péssimo não impede as outras personagens de serem excelentes.


No que toca aos membros da Liga da Justiça, tenho de dar um grande destaca à Mulher-Maravilha, ao Flash e ao Cyborg.
Relativamente à primeira, depois de ter visto o filme Mulher-Maravilha há uns meses atrás já estava à espera de voltar a gostar de ver a personagem a ser interpretada pela Gal Gadot. Neste filme, ela acaba por assumir um papel de liderança e todas as cenas em que aparece são interessantes.
No que toca ao Flash, não estava à espera de gostar assim tanto. Estamos finalmente a ver o Ezra Miller a interpretar a personagem durante algum tempo (depois de pequenas aparições nos filmes anteriores da DC). Ao longo do filme, este diz várias piadas que, felizmente, têm graça e tornam o filme divertido.
Agora, voltando ao que já referi acima, o Cyborg é uma personagem bastante importante e passo a explicar o motivo. Depois de ter ficado com o corpo todo destruído num acidente, Victor Stone (o seu nome real) é vítima de uma das experiências do pai, que decide reconstruir o corpo do filho usando elementos de uma “Motherbox”. Assim, o Cyborg acaba por ser fundamental neste filme, visto que ele é uma das peças que o vilão procura.


Para mim, estes três foram o melhor da Liga da Justiça. Mas, claro, não são os únicos membros da equipa. Para além do Super-Homem, sobre o qual não quero falar muito para não vos revelar grandes pormenores do filme, também o Batman e o Aquaman fazem parte deste grupo. Admito que fiquei bastante desiludida com os dois.
Eu sou daquelas pessoas que diz cheia de orgulho que gosta de ver o Ben Affleck no papel de Batman, mas neste filme o grande "Cavaleiro das Trevas" reduziu-se apenas a um “homem rico”, como ele mesmo afirma. O Batman, assim de repente, deixou de ser capaz de agir sozinho e se não tivesse ajuda provavelmente tinha morrido a impedir o Steppenwolf de destruir a humanidade.
Já no que toca ao Aquaman, apenas digo que não gostei. Grande parte do tempo de antena que teve foi apenas dedicado a lançar um dos próximos filmes da DC Comics – o filme solo do Aquaman – e por isso não achei que teve muita importância para este filme.
Penso que, no geral, a Liga da Justiça não é excelente, mas tem muita ação e cenas divertidas. Consegue entreter durante duas horas e, por isso, não consigo considera-lo um mau filme. Claro que gostava que fosse melhor, mas não está mau.

Nota: No final temos direito a duas cenas pós-créditos que por acaso me deixaram bastante feliz. A primeira recorda um momento de uma banda desenhada antiga e a segunda mostra a chegada de um grande vilão ao universo cinematográfico da DC Comics.
6/10 ⭐

quinta-feira, 23 de novembro de 2017

"Marcas de Guerra" em análise

Marcas de Guerra é um filme emocionante de Jason Hall, o argumentista de Sniper Americano. Baseado numa história verídica e no livro best-seller do jornalista e escritor David Finkel, conta com Miles Teller e Haley Bennet nos papéis principais.


É importante dizer desde já que neste filme não vamos ver muitas imagens de Guerra. A história é sobre o drama que os soldados vivem quando regressam a casa depois de terem estado nas frentes da guerra – portanto, não é um filme de Guerra, mas sim de Pós-Guerra. 
No filme somos apresentados a três soldados: Adam Schumann, Billy Waller e Solo. Todos eles regressam do Iraque e, como muitos soldados na realidade, não esquecem facilmente tudo aquilo que viram enquanto estiveram em serviço e sentem culpa por muitas coisas que aconteceram – no dia-a-dia são perseguidos pelos fantasmas da Guerra. 
Os três tinham vidas bastante diferentes antes de se alistarem no exército e o apoio (ou a falta dele) por parte dos familiares e amigos é o que define o rumo que as vidas deles vão tomar. Enquanto que um deles tem uma família que o quer ajudar, outro está na miséria e faz grande loucuras para tentar esquecer a Guerra. 
Este é um drama intenso, capaz de mostrar o que muitos soldados sentem e não são capazes de dizer (tal como acontece com os protagonistas do filme). Consegue agarrar-nos logo desde início, precisamente por não ser só mais um filme no interior da Guerra e por mostrar diferentes pontos de vista perante as mesmas situações. 
No final apenas sentimos que gostávamos de ter conhecido melhor as personagens e desejamos que tivessem mostrado mais da vida destes homens antes de irem para o Iraque. 
No que toca ao elenco, é preciso principalmente destacar a excelente performance de Miles Teller, que prova, mais uma vez, que é um excelente ator – podemos dizer mesmo que está cada vez melhor.
7/10 ⭐

sexta-feira, 17 de novembro de 2017

"Um Crime no Expresso do Oriente" em análise

Um Crime no Expresso do Oriente é um filme realizado por Kenneth Branagh, que muitos podem conhecer por ter interpretado Gilderoy Lockhart em Harry Potter. Para além de realizar, também ele entra no filme, no papel principal.


Baseado na obra de Agatha Christie com o mesmo nome, Um Crime no Expresso do Oriente conta a história de treze estranhos que se conhecem numa viagem de comboio durante a qual há um assassinato. Nesse mesmo comboio, viajava Hercule Poirot, um dos melhores detetives de sempre, que fica encarregue de resolver o caso. Então, todos os outros se tornam, automaticamente, suspeitos deste crime.
A primeira cena do filme passa-se em Jerusalém, antes da famosa viagem no Expresso. Esta pequena sequência serve para mostrar, desde logo, que Poirot é um homem muito meticuloso e que é bastante bom no seu trabalho.
Neste início, Poirot afirma que para ele só existe o certo e o errado. No desenrolar da história vemos que existe algo mais para além destes dois opostos.
Quando a viagem começa, ficamos facilmente encantados com a magnificência de tudo o que é mostrado e sentimos que também nós estamos naquele comboio. Tudo decorado com muita elegância e até os guarda-roupas são pensados ao pormenor. Posso dizer que é um filme visualmente bastante agradável!


Na minha opinião, a única coisa que falha aqui é a maneira como conhecemos as personagens. Eu diria que são todos apresentados de uma forma bastante rápida. Admito que na primeira parte do filme achei tudo muito confuso, mas, felizmente, depois ficou tudo resolvido. À medida que o caso vai sendo resolvido, aparecem várias cenas a preto e branco que funcionam como flashbacks e que ajudam o espectador a perceber tudo.
No final, a trama resume-se à típica pergunta: quem foi o assassino? Para quem não leu o livro, o final é surpreendente. Eu li, mas já foi há muitos anos, e já não me lembrava bem da história. Gostei da maneira como caso foi resolvido aqui no filme.
Se há algo que neste filme merece um grande destaque é o seu elenco cheio de estrelas. A Kenneth Branagh junta-se Daisy Ridley, Johnny Depp, Michelle Pfeiffer, Penélope Cruz, Willem Dafoe, Judi Dench, Derek Jacobi e Josh Gad, entre muitos outros.
Um Crime no Expresso do Oriente consegue ser um filme agradável, mas precisa da nossa máxima atenção (até porque as pistas vão sendo todas dadas ao longo do filme). Admito que estava à espera que fosse melhor, mas gostei.
7/10 

quinta-feira, 16 de novembro de 2017

"Sete Irmãs" em análise

Sete Irmãs (ou, no original, What Happened to Monday) é um thriller empolgante produzido pela Netflix e realizado pelo norueguês Tommy Wirkola.


A trama passa-se num futuro onde devido aos problemas causados pela sobrepopulação tornou-se ilegal um casal ter mais do que um filho. Confrontado com o nascimento de sete gémeas, Terrece Settman (interpretado por Willem Dafoe) decide manter as irmãs em segredo. Atribui-lhes os nomes dos dias da semana e cada uma só pode sair de casa no dia correspondente ao seu nome. No apartamento onde vivem, são livres de ser elas mesmas. Mas quando saem à rua são obrigadas a assumir a identidade de uma única pessoa, cujo nome é Karen Settman. Tudo corre bem, até que a “Segunda-feira” desaparece.
Cheio de suspense e ação, este filme consegue captar a nossa atenção desde início, até porque o nome original deixa-nos logo curiosos acerca do que acontece a esta irmã desaparecida. Depois, ver a amizade que existe entre as raparigas é cativante e desejamos que não lhes aconteça nada de mal – claro que as coisas não vão correr bem.
No papel das sete irmãs temos Noomi Rapace e é muito interessante observá-la a contracenar com tantas versões distintas de si mesma. Está incrível! Apesar de serem iguais, as irmãs têm todas personagens muito diferentes e o facto de Rapace estar bastante credível em todas mostra que esta mulher é realmente uma boa atriz. Este filme certamente vai ser lembrado por causa da sua magnífica prestação.
O filme levanta várias questões acerca do que é certo e errado. Obriga-nos a refletir sobre os temas que são abordados, como a escassez de recursos, a sobrepopulação e também a poluição. Mostra que o ser humano deve fazer os possíveis para evitar este futuro caótico, mas também mostra que medidas como as que são tomadas no filme não são uma boa solução.
Sete Irmãs é um filme visualmente incrível e original.
7/10 ⭐

domingo, 12 de novembro de 2017

"A Vida de Brad" em análise

Realizado por Mike White (que também ele faz parte do elenco), A Vida de Brad é um filme muito real protagonizado por Ben Stiller. 


Brad é um homem com quase cinquenta anos que está a ter uma crise de meia idade. A sua vida corre bem, é casado com uma mulher fantástica, tem uma boa casa, tem uma empresa sem fins lucrativos e um filho incrível, Troy, que está prestes a entrar para a faculdade. No entanto, Brad não consegue ser realmente feliz e começa a pensar nos seus antigos colegas - Craig Fisher, Jason Hatfield, Billy Wearsiter - que agora, ao contrário dele, são ricos. 
Durante o filme, seguimos Brad e Troy, enquanto o rapaz visita várias universidades e tenta decidir para qual quer ir, e vamos tendo acesso aos pensamentos de inferioridade de Brad, às suas dúvidas e reflexões. Ficamos a conhecer bem o protagonista através de narrações, de uma forma que tanto é engraçada como dramática ao mesmo tempo. 
Este é um filme muito humano, com situações que podíamos ver no nosso dia-a-dia. Por isso, conseguimos simpatizar com as personagens presentes desde início. A amizade entre este pai e o filho é cativante.
Também visualmente é um filme bonito. Eu diria que é perfeito para ver num dia de chuva agora no Outono, até porque os ambientes em que é filmado e mesmo as roupas usadas transmitem uma sensação acolhedora. 
Por outro lado, é um filme que certamente não é para toda a gente. Provavelmente, muitas pessoas vão achá-lo aborrecido, precisamente por mostrar apenas um pai às portas da depressão enquanto o filho anda à procura de uma universidade. É um filme sem ficção, mistérios ou suspense: A Vida de Brad é um filme real. 
Ao falar deste filme, tenho obrigatoriamente de destacar a extraordinária performance de Ben Stiller. Bastante credível do primeiro ao último minuto, nesta que, na minha opinião, é a sua melhor interpretação até agora.
Também o jovem Austin Abrams (que muitos podem conhecer por ter participado em The Walking Dead) está perfeito no seu papel. Muitas pessoas da sua idade vão identificar-se com ele, pois está numa fase em que ainda não sabe bem o que quer fazer no futuro - todos nós passámos por isso.
No final do filme, apenas sentimos que podíamos ficar mais tempo ali a conhecer aquelas personagens.
7/10 ⭐

terça-feira, 31 de outubro de 2017

"O Legado de Saw" em análise

Passaram-se sete anos desde que foi lançado o (suposto) último capítulo do franchise Saw. No entanto, algo que parecia ter terminado, regressa agora com Jigsaw: O Legado de Saw, que passa a ser o oitavo filme da saga. 


No que toca a estes filmes, ou se gosta ou se odeia. Muitos fãs certamente aguardavam o regresso de Saw, mas sendo que o famoso assassino protagonista destes filmes já estava morto há tanto tempo, qual é a necessidade de “ressuscitar” esta saga? 
Logo através do nome do filme, percebemos que vamos assistir ao legado deixado pelo famoso serial-killer que tão bem já conhecemos. Como o filme é sobre o seu legado, mesmo antes de vermos Jigsaw já sabemos que alguém vai assumir o seu papel e dar continuidade aos jogos mortais.
Realizado por dois irmãos, Peter e Michael Spierig, Jigsaw: O Legado de Saw consegue ser melhor que algumas das sequelas, mas nunca haverá nada melhor que o primeiro Saw – onde ainda havia terror psicológico e não apenas mortes sangrentas. 
Aqui não temos nada de novo. O único interesse deste filme são mesmo as armadilhas e mesmo assim também já não são novidade. 
No que toca às personagens, não nos interessamos por nenhum dos protagonistas e, sinceramente, não nos interessa se eles se conseguem salvar ou não. Nenhum deles consegue conquistar a nossa empatia, nem mesmo Anna (interpretada por Laura Vandervoort), que claramente está num lugar de destaque no filme. 
No final, temos o típico plot twist. Consegue ser surpreendente porque o “herdeiro” de Jigsaw é alguém de quem muitos de nós não vamos suspeitar. Mas depois de sabermos quem é percebemos que estavam várias pistas espalhadas ao longo do filme. 
No elenco temos Matt Passmore, Callum Keith Rennie, Hannah Emily Anderson, Clé Bennettt, Laura Vandervoort, Paul Braunstein, Mandela Van Peebles, entre outros. Para alegrar os fãs, alguns atores que fizeram personagens antigas vão estar de volta, mas não vou revelar quem são. É surpresa… 
Agora certamente podemos esperar uma continuação para este legado, porque é óbvio que as coisas (infelizmente) não vão ficar por aqui. 
Jigsaw: O Legado de Saw chegou às salas de cinema portuguesas na quinta-feira passada. Não deixa de ser um bom filme para se ver agora na altura do Halloween...
5/10 

Por falar em Halloween, eu sei que no nosso país não se celebra muito mas quero desejar uma boa noite a todos os que vão sair à rua para celebrar! Boas bruxarias! 🎃

terça-feira, 24 de outubro de 2017

"O Boneco de Neve" em análise

O Boneco de Neve é um thriller baseado no livro com o mesmo nome de Jo Nesbø, que foi publicado em 2007 e rapidamente se tornou num bestseller. Realizado por Tomas Alfredson (o realizador de A Toupeira), prometia ter muitos mistérios, suspense e também alguns traços de terror. 

O filme mostra-nos a incessante busca por um misterioso assassino que faz sempre um boneco de neve nos locais onde ataca. Apresenta-nos Harry Hole, o detetive responsável por estes casos, e também Katrine Bratt, uma jovem pouco experiente neste meio que o ajuda.
O Boneco de Neve tinha tudo para ser bom: uma base (o livro de Jo Nesbø) que se tornou num êxito, um elenco excelente e uma cinematografia também bastante agradável. Porém, não consegue ser um bom filme porque entra numa grande espiral que nunca mais acaba e no fim temos a sensação de que deixou várias pontas soltas.
Um dos grandes problemas é que tudo parece uma introdução. Em cada caso de desaparecimento ou morte, é feita uma introdução breve às mulheres. Percebemos um pouco da vida delas, mas num curto espaço de tempo que não nos leva a sentir empatia com estas personagens.
Ao longo do filme, aparecem várias personagens novas que mereciam uma melhor exploração. Aquilo que sabemos é pouco, mesmo no que toca ao protagonista. Por exemplo, no início, Harry acorda num banco de jardim onde certamente passou a noite depois de ficar bêbedo. Não sabemos nada sobre o que aconteceu antes – porque é que ele acordou ali? Porque é que bebe tanto? O que aconteceu na vida de Harry? Muitas coisas precisam de explicações e uma melhor introdução à personagem principal (pelo menos) era essencial.
No que toca a Katrine, apenas temos acesso a alguns flashbacks que se tornam fundamentais. Na verdade, é ela que ajuda Harry a resolver o caso e é o seu passado que a influencia a seguir esta carreira. Mas no final do filme, não achamos que ela foi assim tão importante. Até porque um dos grandes planos dela não corre bem e não percebemos muitas coisas relacionadas com ela.
A personagem de J. K. Simmons, Arve Stop, também é um grande mistério e é uma grande ponta solta que precisa necessariamente de ser explicada (fiquei com a ideia de que poderá haver uma sequela no futuro). Qualquer pessoa que vá ver este filme sem ter lido o livro vai chegar ao final sem perceber o que se passa na casa e na vida de Arve.


No final, tudo gira à volta de uma pergunta: quem é o verdadeiro assassino? Quando este é divulgado, apenas pensamos que era muito previsível. Até porque se estivermos bastante atentos, vão sendo dadas várias pistas ao longo do filme.
Relativamente ao elenco, percebemos que cada ator presente está a dar o seu melhor e, definitivamente, o problema não está nas interpretações. Tanto Michael Fassbender (o protagonista) como Rebecca Ferguson, J. K. Simmons, Val Kilmer, Charlotte Gainsbourg, Jonas Karlsson, Toby Jones, e todos os outros, estão excelentes. Mas boas representações não são o suficiente.
Portanto, O Boneco de Neve teria sido um filme agradável se tivesse sido mais bem explorado, mas ainda assim traz-nos uma história idêntica a muitas outras e sem nada de novo - para além de que desta vez o assassino é criativo e gosta de fazer bonecos de neve. No entanto, deixou-me com muita vontade de ler o livro, porque de certeza explica muita coisa.
5/10 ⭐

terça-feira, 17 de outubro de 2017

"O Estrangeiro" em análise

O Estrangeiro é um filme de Martin Campbell (o realizador de 007: Casino Royale e A Máscara de Zorro) que traz consigo o grande regresso de Jackie Chan e Pierce Brosnan ao grande ecrã. 


A trama começa com um inesperado ataque terrorista em Londres, no qual a filha de Quan (a personagem de Jackie Chan) morre. A partir daí, este homem humilde, que era apenas o dono de um restaurante em Chinatown, deseja continuar a viver apenas para descobrir quem foram os culpados pela morte da sua filha. Então, Quan tenta falar com um homem do governo, Hennessy, e pede-lhe que encontre os culpados. Depois de ser ignorado várias vezes, começa a ameaçá-lo e descobre alguns segredos do passado deste que metem a sua profissão em causa. 
Posso dizer, desde já, que aquilo que parecia ser um filme com uma história ao estilo de Taken tornou-se, afinal, num thriller bastante político. Logo no início somos confrontados com um ataque que, percebemos de seguida, foi feito por membros de um grupo terrorista Irlandês (o IRA – Exército Republicano Irlandês). 
O filme pode ser facilmente dividido em duas partes, sendo que a primeira é a mais dramática da história e é na qual se dá o acontecimento mais marcante: a grande explosão que mata a filha de Quan. A partir do momento em que este homem perde a sua filha, conseguimos ver o seu desespero e dá-se uma grande mudança na sua vida. Uma pessoa que até aí era apenas um pai trabalhador, transforma-se num homem sedento por vingança.
A segunda parte começa quando Quan se dirige pela primeira vez a Hennessy, pedindo-lhe que encontre os culpados pela morte da filha. A partir daqui o filme torna-se um pouco repetitivo, especialmente por causa da impaciência de Quan. Isto é compreensível, mas as próprias falas repetem-se inúmeras vezes, o que acaba por ser saturante. No entanto, à medida que a trama se vai desenrolando, a vingança de Quan deixa de ser o ponto fulcral (mas nunca é esquecida) e os temas políticos começam a fazer parte da ação, o que altera bastante o ritmo da história.
Ao falar deste filme, é preciso destacar a fantástica representação de Jackie Chan (que faz o papel de Quan) e é precisamente aqui que está o problema de O Estrangeiro. Acontece que, a partir de certo momento, apenas queremos ver a personagem de Jackie Chan. Parece que o resto do filme não lhe chega aos calcanhares e algumas cenas tornam-se mesmo aborrecidas quando ele não está presente. Queremos saber mais sobre esta personagem e queremos mais cenas de ação com ela. Porque, na verdade, cada cena de ação que Chan faz neste filme é uma bela coreografia e é agradável ao olhar. 
Felizmente, a par com a excelência da interpretação do protagonista, temos também uma magnífica banda sonora composta por Cliff Martinez, que traduz na perfeição todo o drama presente nesta história. 
No final, o filme acaba por não surpreender tanto quanto desejamos, mas mantém-nos agarrados até ao último minuto. O Estrangeiro está agora nas salas de cinema!
6/10 ⭐

sábado, 14 de outubro de 2017

"A Febre das Túlipas" em análise

A Febre das Tulipas foi realizado por Justin Chadwick e inspirado no livro com o mesmo nome de Deborah Moggach. O filme está pronto desde 2014, mas só agora chegou aos cinemas.


Conta-nos a história de Sophia, uma jovem que vivia num orfanato e foi resgatada por Cornelis Sandvoort depois de um negócio que assim a tirou da pobreza. Este é um homem com algumas riquezas, que depois da morte da sua mulher ainda deseja ter um herdeiro. Entretanto, contrata um artista, Jan Van Loos, para pintar os seus retratos e Sophia apaixona-se pelo pintor, com quem acaba por viver uma grande paixão em segredo.
Em paralelo com Sophia e Van Loos, também nos é apresentada a história de Maria, a sua criada, e de Willem, um pescador, que adere à "febre das tulipas". Mais tarde, o pintor e Sophia decidem arriscar tudo o que têm no mercado das tulipas, para conseguirem ter uma vida juntos, longe de Cornelis.
Penso que é importante, desde já, situar este filme cronologicamente e explicar o seu título. A trama passa-se em Amesterdão, no Séc. XVII, altura em que começaram a ser plantadas as primeiras tulipas nos Países Baixos. As flores eram bastante procuradas pela sua beleza e por isso o seu valor foi aumentando, o que tornou o comércio dos bolbos das tulipas bastante lucrativo. Em plena "febre das tulipas" (ou "tulipomania") começaram a ser feitos leilões, onde as tulipas eram vendidas a preços exorbitantes. 
Sendo que o título remete imediatamente para o mercado das tulipas, este devia ser mais explorado no filme. As cenas em que vemos os leilões são de pouca duração, o que não permite ao espectador entrar realmente nesta febre. Apesar da loucura visível à volta deles, não parece ser algo tão grandioso como realmente foi. 
Como referi, Sophia é a protagonista do filme e a sua relação com Van Loos é o ponto fulcral. No entanto, a maneira como esta relação começa é demasiado rápida e sem indícios de amor. Vemos o pintor a trabalhar no retrato de Sophia e Cornelis e, assim de repente, sem um olhar nem nada, percebem que estão apaixonados e no dia a seguir correm para os braços um do outro. A rapidez com que isto acontece deixa-nos a questionar se existe mesmo ali amor ou apenas uma grande paixão e um enorme desejo sexual. No filme temos também várias cenas de sexo que duram mais do que era necessário e que apenas funcionam porque ficam esteticamente bonitas. 
Por outro lado, temos outro casal, Maria e Willem, com o qual simpatizamos desde início. Ao contrário das outras personagens, estes não vivem uma vida fácil e têm de trabalhar. Maria é a criada de Sophia e por isso ainda tem uma certa ligação com as classes mais ricas, mas Willem é apenas um pescador que está sempre a tresandar a peixe. Estes dois namoram às escondidas e têm alguns obstáculos entre eles. Pelo meio do filme alguns acontecimentos fazem com que fiquem separados, mas nunca duvidamos do seu amor e torcemos para que fiquem juntos. Roubam, portanto, as atenções ao casal protagonista, porque desejamos mais cenas entre estes dois e não tanto entre Sophia e Van Loos. 
O filme começa por ser apresentado em forma de narração precisamente por Maria e vão sendo dadas pistas sobre o final. É fácil perceber logo que a relação entre Sophia e Van Loos vai causar alguns problemas. Aliás, ao longo da trama dão-se imensas peripécias que podemos pensar, desde logo, que vão terminar mal. A Febre das Tulipas não tem muitas surpresas e muitos acontecimentos são previsíveis, incluindo o final.
Relativamente ao elenco, posso dizer que é de luxo, mas isso não é suficiente para tornar o filme excelente. Alicia Vikander, Dane DeHaan, Christoph Waltz, Judi Dench, Cara Delevingne, Jack O’Connell, Holliday Grainger e Zach Galifianakis são os nomes que aqui podemos encontrar. 
A personagem de Alicia Vikander é muito idêntica a outras que já foram interpretadas pela atriz (por exemplo, em A Rapariga Dinamarquesa ou A Luz entre Oceanos) e esperemos que isto não leve a uma saturação da sua imagem. É de lembrar que neste filme temos também um reencontro entre Dane DeHaan e Cara Delevingne, que depois de Valerian e a Cidade dos Mil Planetas voltam a fazer parte do mesmo elenco – ainda que aqui as suas personagens não interajam muito uma com a outra.
A Febre das Tulipas não é um filme mau, porque até é bastante agradável de se ver e consegue mostrar um pouco do ambiente da Holanda no Séc. XVII. No entanto, no final do filme pensamos que tudo acontece muito rápido e é como muitos outros filmes que já foram feitos. 
Chegou esta quinta-feira, dia 12, às salas de cinema portuguesas!
6/10 ⭐

domingo, 8 de outubro de 2017

"Linha Mortal" em análise

Linha Mortal é um remake do filme com o mesmo nome de 1990. Foi realizado por Niels Arden Oplev e conta com Elle Page no papel principal. 


Linha Mortal apresenta-nos cinco estudantes de medicina que tentam descobrir o que acontece depois da morte. Para isso têm de parar os seus corações por alguns minutos para depois "ressuscitarem". Cada um passa por esta experiência e todos eles voltam à vida, mas brincar com a morte faz com que comecem a ser perseguidos por fantasmas do passado.
Courtney, interpretada por Ellen Page, é quem tem a ideia de passar esta linha que separa a vida da morte, depois de um acidente. É ela que convence os colegas de que fazer esta experiência só pode ser positivo, porque ninguém antes tinha feito algo assim e ninguém sabe o que acontece quando o nosso coração pára. No entanto, ela nunca diz aos outros a principal razão que a leva a querer experimentar isto - o espectador, porém, sabe desde o início do filme, tendo aqui um conhecimento especial desta personagem.
Já disse várias vezes aqui no blogue que fico sempre um pouco assustada quando sei que vão fazer um remake (ou até mesmo uma sequela) de determinado filme. Desta vez não fiquei, porque ainda não vi o filme de 1990. Portanto, ao ver este filme tive acesso a esta história pela primeira vez. Acredito que para quem viu o filme antigo este não traga nada de novo.
Linha Mortal, como já disse, dá uma atenção especial à personagem Courtney. Só ficamos a conhecer os outros quando estes participam na experiência. No entanto, a maneira como ficamos a conhecê-los é demasiado rápida, o que não nos permite simpatizar logo com eles. O filme, na verdade, passa-se bastante rápido e parece não perder muito tempo com introduções.
O grande problema que tenho de destacar está no facto de estarmos perante um filme que quer ser um pouco de tudo: Comédia, Terror, Drama, Thriller e Romance. Temos partes que foram feitas para rir, mas depois temos cenas cheias de jumpscares (e admito que, ao contrário dos últimos filmes de Terror que vi, este ainda me pregou um ou dois sustos). O pior é que o contraste entre géneros aqui presente não ficou bem, porque parece que estamos a ver filmes diferentes que se juntaram num só.
Relativamente ao elenco, Elle Page rouba todas as atenções e a partir de um certo momento, que quando forem ver vão perceber qual é, o filme perde todo o interesse porque passa a centrar-se nas personagens secundárias que mal nos foram apresentadas. No papel dessas personagens temos Diego Luna, Nina Dobrev, James Norton e Kiersey Clemons (desta última não consegui gostar mesmo). Também Kiefer Sutherland, que fez parte do elenco do filme de 1990, tem aqui um papel que apesar de não aparecer muito acaba por ser bastante simbólico.
Esta crítica já vem um pouco tarde, visto que o filme estreou no dia 28 de Setembro, mas ainda podem ir ver o filme aos Cinemas. Agora, está na altura de eu ir ver o filme antigo, que espero que seja muito melhor.
 5/10 ⭐

sexta-feira, 6 de outubro de 2017

"Blade Runner 2049" em análise

Em 1982, Ridley Scott presenteou o mundo com o filme Blade Runner: Perigo Iminente, que na altura não foi muito bem recebido. Mas ao longo dos anos serviu de inspiração a inúmeros filmes de ficção científica e tornou-se numa obra-prima do Cinema. Agora Denis Villeneuve apresenta a sua sequela, Blade Runner 2049.


No primeiro filme, passado em 2019, foram-nos apresentados dois conceitos: o de replicante e o de blade runner. Um replicante é uma espécie de robot inventado pela Tyrell Corporation. Bastante idêntico ao ser humano, é mais rápido, flexível e inteligente.
Depois de uma revolta, foram declarados ilegais e, então, foi criada uma unidade da Polícia responsável para os afastar (ou, mais precisamente, executar) - os blade runner. Neste filme, tivemos Harrison Ford no papel de Rick Deckard, um blade runner.
Agora, em Blade Runner 2049, o enredo passa-se trinta anos depois da história do primeiro filme. 'K' é um novo blade runner que fica encarregue de resolver um mistério do passado e para isso procura Deckard, que estava desaparecido há anos. 
Antes de mais, devo dizer que quando soube que iam fazer uma sequela do Blade Runner pensei: "isso é mesmo necessário?". Admito que tenho sempre medo de sequelas. Neste caso, temos um primeiro filme que é excelente e seria difícil fazerem algo tão bom - sejamos honestos, raramente as sequelas são tão boas como os filmes anteriores. No entanto, com tantos trailers incríveis a serem lançados, fiquei com as expectativas muito elevadas. Por isso, nem imaginam o quão feliz fiquei quando saí da sala e percebi que este filme está muito bom. Arrisco-me mesmo a dizer que está melhor que o de 1982 e faz com que passemos a gostar ainda mais da sua história. 
Podemos ver aqui tudo aquilo que Ridley Scott criou, mas visualmente está ainda mais bonito. Por isso, é preciso dar destaque a Roger Deakins (o diretor de fotografia) e à equipa de efeitos, que fizeram um trabalho incrível. Cada cena é brilhante! Um verdadeiro espetáculo visual. E é impossível não se ficar impressionado com os contrastes entre as cores e toda a nitidez deste filme.
Toda a ação é passada num futuro distópico e bastante negro, onde o tempo está quase sempre chuvoso. Estamos em Los Angeles, ano 2049, e a poluição é visível em contraste com os gigantes hologramas que decoram a cidade. Podemos ter uma ideia do que pode acontecer se o ser humano não perceber que realmente está a arruinar o planeta.
No primeiro filme, foi abordado o tema da evolução: quais são os limites da tecnologia? Na verdade, os replicantes são tão humanos como um ser humano e são o resultado do progresso tecnológico. Torna-se até difícil, em alguns casos, perceber se são mesmo artificiais. Blade Runner 2049 volta a apresentar-nos este dilema, em paralelo com a crise de identidade. Os replicantes podem ter memórias que lhes foram implantadas pelos seus criadores; mas e se as memórias forem realmente suas? E se toda a sua vida foi uma mentira e se não souberem quem são? É isto que nos é apresentado neste segundo filme.


No filme de Villeneuve também o som é bastante importante. Temos várias cenas em que reina o silêncio, mas temos também uma banda sonora composta por Hans Zimmer (um compositor que admiro bastante - recentemente fez a banda sonora do Dunkirk), que teve de substituir Jóhann Jóhannsson. 
Relativamente ao elenco, temos ainda presentes caras do primeiro filme: Harrison Ford e Edward James Olmos. A eles juntam-se agora Ryan Gosling, Ana de Armas, Dave Bautista, Robin Wright, Sylvia Hoeks e Jared Leto. 
Apesar de aparecerem em quase todas as publicidades deste filme, Harrison Ford e Jared Leto têm pouco tempo de antena. Ainda assim, o tempo que aparecem faz a diferença e altera o rumo da história. 
A única "falha" que tenho a apontar está precisamente relacionada com a personagem do Jared Leto. No final do filme senti que se esqueceram dele. Ficamos sem saber o que lhe acontece. Penso, no entanto, que este "esquecimento" pode levar a mais uma sequela. Na verdade, o filme tem quase três horas, mas levanta muitas questões que no final não são respondidas.
Se já viram o Blade Runner de Ridley Scott suponho que já têm o visionamento deste nos vossos planos. Se nunca ouviram falar do Blade Runner, está na altura de irem ver o primeiro filme para depois irem ver este novo. Está cheio de surpresas, razão pela qual não me alonguei muito na sinopse. Posso garantir que é uma obra-prima e um dos melhores filmes que vi nos últimos meses.
9/10 ⭐


Para terminar, não podia deixar de vos mostrar três curtas-metragens que retratam eventos que aconteceram antes do tempo de Blade Runner 2049. Recomendo que as vejam, porque explicam várias coisas que são mostradas no filme e por isso vai ajudar-vos a compreender tudo.
A primeira é um anime (Black Out 2022) criado por Shinichiro Watanabe e apresenta acontecimentos de 2022. 


A segunda curta-metragem (2036: Nexus Dawn) foi feita por Luke Scott e tem lugar em 2036. Dá-nos uma primeira imagem de Wallace, a personagem de Jared Leto, que aqui apresenta o seu novo modelo de Replicantes.



A terceira e última (2048: Nowhere to run) também foi realizada por Luke Scott e passa-se um ano antes do início do filme.

domingo, 1 de outubro de 2017

"Good Time" em análise

Good Time é um filme realizado pelos irmãos Safdie. Conta com Robert Pattinson como protagonista, num papel que certamente é um dos melhores feitos pelo actor. 


Connie e Nick Nikas são dois irmãos que fazem assaltos. Nick tem atrasos mentais e acredita que o irmão apenas quer o seu bem, ignorando tudo o que a mãe lhe diz em tentativas de o afastar dos problemas.
Certa noite, assaltam um banco. Tudo corre bem, mas rapidamente a polícia vai atrás deles e consegue capturar Nick, que é preso em Rikers Island. Então, Connie tenta de tudo para tirar o irmão da prisão, até porque Nick é uma pessoa sensível que não seria capaz de ficar muito tempo num sítio como aquele.
Em primeiro lugar, é preciso destacar a excelente performance de Robert Pattinson neste filme. O actor ficou para sempre conhecido pelo seu papel na saga Twilight e agora está a tentar distanciar-se o mais possível do vampiro. Neste filme representa uma personagem que não se assemelha a nenhuma que ele já tenha feito. Digamos que rouba todas as atenções cada vez que aparece em cena.
Connie Nikas, a personagem, é um homem determinado e bastante ambicioso, que não desiste dos seus planos, por muito arriscados que sejam. Desde cedo percebemos que está a enterrar-se cada vez mais, fazendo coisas que só podem levar a um fim que não é bom para ele. Pattinson deu-lhe imensa credibilidade, mostrando que realmente é um bom actor, contrariando as más línguas.
Para além do protagonista, também podemos falar do seu irmão, que foi interpretado por Benny Safdie, um dos realizadores. O contraste entre ambos é visível logo desde início: Nick Nikas, ao contrário de Connie, sente medo, como podemos comprovar numa parte em que este foge da polícia.
Neste filme temos imensos grandes planos e muitas cores neon. Good Time é quase todo ele passado durante a noite e mostra como é a vida dos criminosos em algumas cidades. Aqui seguimos sempre Connie que, no final, não é nada mais que um criminoso que adora o seu irmão.
A meu ver, este filme só teve um ponto negativo: não desenvolve muito. A história é, basicamente, a de um homem que tenta tirar o irmão da prisão. Seguimos o que ele faz para atingir este objectivo, mas é tudo muito linear. Por um lado isto é bom, porque o filme parece uma situação real e sem ficção, mas senti falta de algo mais. Talvez mais acontecimentos pelo meio tivessem tornado tudo ainda mais interessante. Mesmo assim, este é um daqueles filmes que surpreendem, especialmente pelas excelentes performances.
Good Time foi bastante bem recebido no Festival de Cannes, há uns meses atrás, e está agora em exibição em algumas salas de cinema portuguesas.
7/10 ⭐

sábado, 30 de setembro de 2017

"Vitória & Abdul" em análise

Vitória & Abdul é um filme de Stephen Frears que conta com a fantástica Judi Dench no papel principal.


Inspirado em factos verídicos, conta a história da amizade improvável entre a Rainha Vitória e um jovem indiano, Abdul Karim. Abdul foi escolhido para participar no Jubileu da Rainha em Inglaterra. Depois de uma longa viagem, acaba por agradar a Vitória que decide que ele deve ficar a viver em Inglaterra e torna-lo no seu munshi - o seu professor. Tornam-se bastante amigos e o rapaz ensina tudo o que sabe sobre o seu país à Rainha, que, mesmo sendo a Imperatriz da Índia, nunca lá esteve.
No entanto, o facto de Karim ser indiano e também muçulmano faz com que o resto da família real não goste dele e deseje acabar com esta amizade.
Quando fui ver este filme admito que não ia com grandes expectativas mas surpreendeu-me bastante. Como seria de esperar, a performance de Judi Dench no papel de Rainha Vitória está magnífica. É uma atriz que eu adoro e acho que ficou bastante bem a representar esta personagem.
A primeira vez que a Rainha aparece no filme está bastante ensonada e parece não ter muito interesse no que se está a passar à sua volta. Não conseguimos desenvolver logo uma opinião sobre ela, mas assim que o seu olhar se cruza com o de Abdul percebemos logo que vai surgir ali uma bela amizade. Por outro lado, a Rainha é uma pessoa com imensas responsabilidades, como percebemos em vários desabafos que ela vai fazendo ao longo do filme. É uma mulher cansada, que nunca conseguiu realmente aproveitar a sua vida. 
Abdul, interpretado por Ali Fazal, também merece um grande destaque. Felizmente este filme nunca esquece os seus protagonista. A história é sobre a amizade entre Abdul e Vitória, mas, para além disso, também conseguimos conhecê-los individualmente. O jovem indiano é um rapaz pobre, que vê o seu sonho de conhecer a Rainha de Inglaterra a tornar-se realidade. 
O contraste entre as culturas de ambos traz algumas partes cómicas ao filme. Abdul não está habituado a nada do que vê no Palácio Real e as suas reações ao que vai acontecendo são bastante engraçadas. 
Num filme como este, os cenários e o guarda-roupa merecem uma atenção especial, visto que são eles que ajudam a lembrar que o que se pretende é recriar uma determinada época. Foi tudo pensado ao pormenor. As roupas estão incríveis e somos imediatamente levados para o Séc. XIX.
No final, percebemos que o filme não é apenas sobre a amizade destes dois. Acaba por também mostrar o racismo, o preconceito e a intolerância com outras religiões que existia. Abdul nunca é aceite em Inglaterra. Apenas Vitória gosta realmente dele e aprecia toda a sua cultura: para ela não importa que ele seja indiano e muçulmano.
Apesar de não ter sido muito divulgado, Vitória & Abdul é um filme que nos agarra logo desde o primeiro minuto. A história é encantadora e as performances estão excelentes. Tenho a certeza que muitos de vocês vão gostar!
Life is like a carpet; we weave in and out to make a pattern.

7/10 ⭐ 

sexta-feira, 22 de setembro de 2017

"Mãe!" em análise

Mãe! é o novo filme de Darren Aronofsky, o realizador de Cisne Negro, que conta com Jennifer Lawrence e Javier Bardem nos papéis principais. É um filme cheio de mistério e é preciso pensar bastante para realmente perceber de que se trata. Mais à frente vou mostrar o que achei das personagens principais. Peço desculpa, desde já, pela longa publicação e espero que isto não se torne muito confuso.


A personagem de Jennifer Lawrence e a de Javier Bardem formam um casal. Moram numa casa que está ser construída aos poucos pela personagem de Jennifer, enquanto a personagem de Bardem, que é um escritor, tenta escrever poemas.
Certo dia, recebem uma visita inesperada: um homem que diz ser médico, mas que mais tarde admite que é, também, um grande fã do escritor. De seguida, outra visita: a mulher do médico. A personagem de Bardem convence a sua mulher a recebê-los em casa, mas coisas estranhas começam a acontecer e mais visitas inesperadas continuam a chegar. A personagem de Lawrence começa a suspeitar de todas estas pessoas, mas o marido acha tudo normal e continua a dividir a sua casa com estes estranhos. 
Caso já se estejam a questionar, refiro-me aos protagonistas como "personagem da Jennifer" e "personagem do Javier" porque o nome das personagens nunca é mencionado. Tratam-se apenas por "querido", "querida", nunca pelo nome. Vou falar sobre isto mais à frente. 
Mãe! é considerado um filme de Terror e Mistério. Não assusta, mas é capaz de deixar uma pessoa chocada e até mesmo irritada. Enquanto estiverem a ver o filme, vão pensar: "o que se está a passar aqui?". Digamos que é muito, mas mesmo muito, estranho e parece que nada faz sentido. É preciso prestar bastante atenção a tudo e é fundamental pensar muito enquanto estamos a ver o filme, para realmente sermos capazes de o perceber. 
Toda a história é passada na casa em que o casal mora, num sítio onde não existe mais nada. Algumas partes da casa têm bastante luminosidade, especialmente no inicio. Percebemos que as zonas que a personagem da Jennifer está a reconstruir são mais claras. Depois, à medida que o filme se vai aproximando do final, a escuridão toma o lugar da luz e começamos a ter cenas cada vez mais negras. 
O suspense do filme é acentuado pelos sons, que também despertam a nossa curiosidade. Por vezes também o silêncio marca presença, deixando os espectadores ainda mais ansiosos. 
Relativamente aos atores, estamos perante muito boas representações. Admito que já não via um filme com a Jennifer Lawrence há algum tempo, porque, na minha opinião, saturaram a imagem da atriz ao ponto de eu achar que quase todos os papéis que ela fazia eram iguais. Depois de uma pequena pausa na carreira, está de volta neste papel que não se assemelha a nenhum antes feito por ela e devo dizer que está incrível, sendo que merece um grande destaque.


Agora, tal como já referi em cima, Mãe! tem muitos significados escondidos e é impossível para mim continuar esta publicação sem falar sobre eles. Por isso, caso ainda não tenham visto o filme aconselho que não continuem a ler, porque não quero estragar a vossa experiência. O que vou escrever a seguir contém spoilers
Os nomes das personagens nunca são revelados, o que deixa o espectador com dúvidas acerca do que se trata no filme. Tenho a certeza que muitas pessoas nem o vão conseguir perceber e nem eu sei se entendi. Vou mostrar-vos as conclusões que tirei depois do meu visionamento. 
Na minha opinião, a personagem de Javier Bardem é Deus. Ora, desde a chegada dos primeiros desconhecidos à casa, percebemos que este homem tem muitos fãs que seguem e repetem tudo o que ele diz e escreve; admiram-no a um ponto extremo. Há coisas que ele diz que realmente lembram coisas escritas na Bíblia como, por exemplo, que devemos partilhar com o próximo e que devemos perdoar - e estas coisas são repetidas pelos seus "fiéis". As minhas suspeitas acerca da identidade desta personagem podem ter sido confirmadas no final do filme, em que a única letra maiúscula escrita nos créditos está no nome desta personagem: "Him".
Mas se a personagem de Bardem é Deus, o que representa a personagem de Jennifer? Desde o inicio do filme percebemos que há uma pedra preciosa, digamos assim, que é muito importante e que pode simbolizar a Vida. Ainda tenho muitas incertezas, mas eu diria que a personagem é a Terra, a Mother Earth. O que me leva a pensar isto é o seguinte: de acordo com muitos pensamentos, Deus criou a Terra. Neste filme vemos aquilo que pode ser um ciclo vicioso da criação da Terra, sendo que até vemos algo que pode ser considerado um apocalipse no final - depois do fim do mundo, este poderá ser criado de novo por Deus.
Para sustentar ainda mais esta minha ideia de que a personagem da Jennifer é a Terra, posso referir que há uma parte em que chegam imensos desconhecidos à casa e começamos a ser bombardeados com situações que lembram vários acontecimentos históricos, como, por exemplo, cenas que parecem saídas da Segunda Guerra Mundial. Também num outro momento, em que a personagem está prestes a dar à luz, tudo estremece à sua volta, o que se assemelha a um terramoto. A Terra é mal tratada, o que conduz ao seu fim.
Se esta minha teoria por acaso estiver correta e se as personagens forem mesmo Deus e a Terra, então estamos perante um filme com bastantes traços religiosos, que mostra que muitas pessoas seguem as suas crenças ao extremo, por vezes nem percebendo o que realmente está certo ou errado.


Dizem que este é um daqueles filmes que se adora ou se odeia. Tenho de ser sincera e dizer que estava a detestar vê-lo e estava ansiosa pelo final. Os últimos trinta minutos do filme são uma loucura, uma enorme confusão. Ver os créditos a começar foi um alívio. Mas o objetivo de Mãe! é deixar uma pessoa a pensar e não parei de pensar neste filme durante todo o dia de hoje. Cheguei à conclusão que é impossível falar sobre o filme a quente. É preciso respirar fundo depois de o ver. Hoje percebi uma coisa: até gostei do filme. Precisamente porque me fez pensar e obrigou-me a criar teorias sobre as personagens para conseguir perceber (ou tentar perceber) tudo.
Caso estejam curiosos, recomendo que o vejam. Mas preparem-se para duas horas de plena loucura, que vos vão deixar com os nervos à flor da pele. 
Mãe! chegou esta quinta feira aos cinemas.
7/10 ⭐

sexta-feira, 15 de setembro de 2017

"6 Dias" em análise

6 Dias é um filme do realizador Toa Fraser que conta com Jamie Bell e Mark Strong nos papéis principais.


Em Abril de 1980, um grupo de terroristas tomou a Embaixada Iraniana em Londres e vinte e seis pessoas ficaram reféns. O grupo, liderado por Salim, ameaça matar os reféns, caso os prisioneiros políticos da sua terra natal não sejam libertados. 
O filme apresenta três pontos de vista: o do negociador da polícia, o da brigada do SAS (Serviço Aéreo Nacional) e também o dos jornalistas, encarregues de mostrar tudo o que estava a acontecer. 
Max Vernon (interpretado por Mark Strong) tenta manter a paz, através de negociações com os terroristas. Max é capaz de se manter calmo nesta situação, revelando o seu lado humano, e esforça-se por encontrar um desfecho pacífico.
Ao mesmo tempo, a brigada do SAS treina várias opções para uma possível investida contra a embaixada. À medida que a tensão entre os negociadores e os terroristas vai aumentado, os militares vêem-se cada vez mais próximos do momento em que vão ter de agir.
No exterior da embaixada, uma grande equipa de jornalistas vai informado o publico sobre todos os acontecimentos. Kate Adie (interpretada por Abbie Cornish) é uma jornalista da BBC que se destaca porque foi uma das responsáveis pela primeira reportagem em direto na televisão.
O filme não tem ficção e apresenta tudo por ordem linear. É bastante dramático, porém gostava que tivesse mais ação e que mostrasse mais os reféns. Penso que estes são bastante importantes, para mostrar o medo que as pessoas que estavam presas dentro da Embaixada estavam a sentir. 
Posso dar destaque à banda sonora, que, tal como aconteceu no filme Dunkirk, mostra que o tempo está a passar e que existe a necessidade de agir rapidamente, mas de um modo consciente.
Jamie Bell e Mark Strong interpretam as personagens principais, que são bastante distintas. Enquanto um tenta manter a paz, o outro está treinado para agir e matar se for preciso. Deste modo, coloca-se a questão: como devemos combater o terrorismo? Através da força ou com negociações pacíficas?
Apesar de ser um filme como tantos outros baseados em histórias verídicas, 6 Dias merece destaque por relembrar um momento da História que parece ter sido esquecido. 
O filme chegou esta quinta feira às salas de Cinema.
6/10 ⭐