sexta-feira, 6 de outubro de 2017

O regresso de Blade Runner

Em 1982, Ridley Scott presenteou o mundo com o filme Blade Runner: Perigo Iminente, que na altura não foi muito bem recebido. Mas ao longo dos anos serviu de inspiração a inúmeros filmes de ficção científica e tornou-se numa obra-prima do Cinema. Agora Denis Villeneuve apresenta a sua sequela, Blade Runner 2049.


No primeiro filme, passado em 2019, foram-nos apresentados dois conceitos: o de replicante e o de blade runner. Um replicante é uma espécie de robot inventado pela Tyrell Corporation. Bastante idêntico ao ser humano, é mais rápido, flexível e inteligente.
Depois de uma revolta, foram declarados ilegais e, então, foi criada uma unidade da Polícia responsável para os afastar (ou, mais precisamente, executar) - os blade runner. Neste filme, tivemos Harrison Ford no papel de Rick Deckard, um blade runner.
Agora, em Blade Runner 2049, o enredo passa-se trinta anos depois da história do primeiro filme. 'K' é um novo blade runner que fica encarregue de resolver um mistério do passado e para isso procura Deckard, que estava desaparecido há anos. 
Antes de mais, devo dizer que quando soube que iam fazer uma sequela do Blade Runner pensei: "isso é mesmo necessário?". Admito que tenho sempre medo de sequelas. Neste caso, temos um primeiro filme que é excelente e seria difícil fazerem algo tão bom - sejamos honestos, raramente as sequelas são tão boas como os filmes anteriores. No entanto, com tantos trailers incríveis a serem lançados, fiquei com as expectativas muito elevadas. Por isso, nem imaginam o quão feliz fiquei quando saí da sala e percebi que este filme está muito bom. Arrisco-me mesmo a dizer que está melhor que o de 1982 e faz com que passemos a gostar ainda mais da sua história. 
Podemos ver aqui tudo aquilo que Ridley Scott criou, mas visualmente está ainda mais bonito. Por isso, é preciso dar destaque a Roger Deakins (o diretor de fotografia) e à equipa de efeitos, que fizeram um trabalho incrível. Cada cena é brilhante! Um verdadeiro espetáculo visual. E é impossível não se ficar impressionado com os contrastes entre as cores e toda a nitidez deste filme.
Toda a ação é passada num futuro distópico e bastante negro, onde o tempo está quase sempre chuvoso. Estamos em Los Angeles, ano 2049, e a poluição é visível em contraste com os gigantes hologramas que decoram a cidade. Podemos ter uma ideia do que pode acontecer se o ser humano não perceber que realmente está a arruinar o planeta.
No primeiro filme, foi abordado o tema da evolução: quais são os limites da tecnologia? Na verdade, os replicantes são tão humanos como um ser humano e são o resultado do progresso tecnológico. Torna-se até difícil, em alguns casos, perceber se são mesmo artificiais. Blade Runner 2049 volta a apresentar-nos este dilema, em paralelo com a crise de identidade. Os replicantes podem ter memórias que lhes foram implantadas pelos seus criadores; mas e se as memórias forem realmente suas? E se toda a sua vida foi uma mentira e se não souberem quem são? É isto que nos é apresentado neste segundo filme.


No filme de Villeneuve também o som é bastante importante. Temos várias cenas em que reina o silêncio, mas temos também uma banda sonora composta por Hans Zimmer (um compositor que admiro bastante - recentemente fez a banda sonora do Dunkirk), que teve de substituir Jóhann Jóhannsson. 
Relativamente ao elenco, temos ainda presentes caras do primeiro filme: Harrison Ford e Edward James Olmos. A eles juntam-se agora Ryan Gosling, Ana de Armas, Dave Bautista, Robin Wright, Sylvia Hoeks e Jared Leto. 
Apesar de aparecerem em quase todas as publicidades deste filme, Harrison Ford e Jared Leto têm pouco tempo de antena. Ainda assim, o tempo que aparecem faz a diferença e altera o rumo da história. 
A única "falha" que tenho a apontar está precisamente relacionada com a personagem do Jared Leto. No final do filme senti que se esqueceram dele. Ficamos sem saber o que lhe acontece. Penso, no entanto, que este "esquecimento" pode levar a mais uma sequela. Na verdade, o filme tem quase três horas, mas levanta muitas questões que no final não são respondidas.
Se já viram o Blade Runner de Ridley Scott suponho que já têm o visionamento deste nos vossos planos. Se nunca ouviram falar do Blade Runner, está na altura de irem ver o primeiro filme para depois irem ver este novo. Está cheio de surpresas, razão pela qual não me alonguei muito na sinopse. Posso garantir que é uma obra-prima e um dos melhores filmes que vi nos últimos meses. 


Para terminar, não podia deixar de vos mostrar três curtas-metragens que retratam eventos que aconteceram antes do tempo de Blade Runner 2049. Recomendo que as vejam, porque explicam várias coisas que são mostradas no filme e por isso vai ajudar-vos a compreender tudo.
A primeira é um anime (Black Out 2022) criado por Shinichiro Watanabe e apresenta acontecimentos de 2022. 


A segunda curta-metragem (2036: Nexus Dawn) foi feita por Luke Scott e tem lugar em 2036. Dá-nos uma primeira imagem de Wallace, a personagem de Jared Leto, que aqui apresenta o seu novo modelo de Replicantes.



A terceira e última (2048: Nowhere to run) também foi realizada por Luke Scott e passa-se um ano antes do início do filme.

20 comentários:

  1. Estou muito curiosa com este filme, assim que puder vou ver!!

    Novo post: http://abpmartinsdreamwithme.blogspot.pt/2017/10/blue-and-lace-ootd-58.html

    Beijinhos ♥

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  2. Confesso que não é o género de filmes que costumo ver, mas deixaste-me bastante curiosa :D

    r: Muito, muito obrigada!

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  3. Sem dúvida alguma!!! :')

    Deve ser fabuloso!! Ainda não vi!

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  4. Oi Joana, gostei imensamente de teus comentários. Vi o "Perigo Iminente" e realmente muitas outras obras basearam-se nesse, à produções futuras. Deve ser maravilhoso. É a minha praia esse tipo de filmes. Joana, só um detalhe da digitalização na tua postagem: logo abaixo da figura, registra o ano 2019, confira. Grato por tuas amáveis palavras em meu espaço. Grande abraço. Laerte.

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    1. Caro Laerte,
      Refere-se à frase "No primeiro filme, passado em 2019 (...)"? Se assim for, 2019 é mesmo o ano correto, porque é o ano da história do primeiro filme. No entanto, não entendi se era a isto que se referia...

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  5. r: Também gostava muito de ter! Muito recentemente, fui ver Os Quatro e Meia a Espinho, e em cima do palco estava lá uma máquina de escrever. Escusado será dizer que fiquei coladona a olhar para ela :p

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  6. Não sou muito familiarizado com estes filmes do Blade Runner, nunca tive muita curiosidade, mas os efeitos deste filme parecem ser fantásticos e um nome enorme na banda sonora! =)

    MRS. MARGOT

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    1. Os efeitos são mesmo muito bons. É um filme magnífico de se ver. Eras capaz de gostar! :)

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  7. Parece ser fantástico, tenho de ver.
    Beijinhos
    http://virginiaferreira91.blogspot.pt

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  8. Não gosto muito desse tipo de filmes...

    Isabel Sá
    Brilhos da Moda

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  9. Gostei do tipo de filme, apesar de não ter visto ainda!
    Chu,chu,
    Sara Meireles

    https://blogsarameireles.blogspot.pt/

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  10. Vi ontem à noite o primeiro filme, para ver se esta semana vou ao cinema ver o segundo! :)
    --
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    1. Boa! Gostaste do primeiro? Não te esqueças de ver as curtas-metragens também! :)

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  11. Joana, mea culpa mea maxima culpa! Realmente pensei: se estamos em 2017 como o filme rodou em 2019?... Minhas escusas. Grande abraço. Laerte.

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