sábado, 14 de outubro de 2017

"A Febre das Túlipas" em análise

A Febre das Tulipas foi realizado por Justin Chadwick e inspirado no livro com o mesmo nome de Deborah Moggach. O filme está pronto desde 2014, mas só agora chegou aos cinemas.


Conta-nos a história de Sophia, uma jovem que vivia num orfanato e foi resgatada por Cornelis Sandvoort depois de um negócio que assim a tirou da pobreza. Este é um homem com algumas riquezas, que depois da morte da sua mulher ainda deseja ter um herdeiro. Entretanto, contrata um artista, Jan Van Loos, para pintar os seus retratos e Sophia apaixona-se pelo pintor, com quem acaba por viver uma grande paixão em segredo.
Em paralelo com Sophia e Van Loos, também nos é apresentada a história de Maria, a sua criada, e de Willem, um pescador, que adere à "febre das tulipas". Mais tarde, o pintor e Sophia decidem arriscar tudo o que têm no mercado das tulipas, para conseguirem ter uma vida juntos, longe de Cornelis.
Penso que é importante, desde já, situar este filme cronologicamente e explicar o seu título. A trama passa-se em Amesterdão, no Séc. XVII, altura em que começaram a ser plantadas as primeiras tulipas nos Países Baixos. As flores eram bastante procuradas pela sua beleza e por isso o seu valor foi aumentando, o que tornou o comércio dos bolbos das tulipas bastante lucrativo. Em plena "febre das tulipas" (ou "tulipomania") começaram a ser feitos leilões, onde as tulipas eram vendidas a preços exorbitantes. 
Sendo que o título remete imediatamente para o mercado das tulipas, este devia ser mais explorado no filme. As cenas em que vemos os leilões são de pouca duração, o que não permite ao espectador entrar realmente nesta febre. Apesar da loucura visível à volta deles, não parece ser algo tão grandioso como realmente foi. 
Como referi, Sophia é a protagonista do filme e a sua relação com Van Loos é o ponto fulcral. No entanto, a maneira como esta relação começa é demasiado rápida e sem indícios de amor. Vemos o pintor a trabalhar no retrato de Sophia e Cornelis e, assim de repente, sem um olhar nem nada, percebem que estão apaixonados e no dia a seguir correm para os braços um do outro. A rapidez com que isto acontece deixa-nos a questionar se existe mesmo ali amor ou apenas uma grande paixão e um enorme desejo sexual. No filme temos também várias cenas de sexo que duram mais do que era necessário e que apenas funcionam porque ficam esteticamente bonitas. 
Por outro lado, temos outro casal, Maria e Willem, com o qual simpatizamos desde início. Ao contrário das outras personagens, estes não vivem uma vida fácil e têm de trabalhar. Maria é a criada de Sophia e por isso ainda tem uma certa ligação com as classes mais ricas, mas Willem é apenas um pescador que está sempre a tresandar a peixe. Estes dois namoram às escondidas e têm alguns obstáculos entre eles. Pelo meio do filme alguns acontecimentos fazem com que fiquem separados, mas nunca duvidamos do seu amor e torcemos para que fiquem juntos. Roubam, portanto, as atenções ao casal protagonista, porque desejamos mais cenas entre estes dois e não tanto entre Sophia e Van Loos. 
O filme começa por ser apresentado em forma de narração precisamente por Maria e vão sendo dadas pistas sobre o final. É fácil perceber logo que a relação entre Sophia e Van Loos vai causar alguns problemas. Aliás, ao longo da trama dão-se imensas peripécias que podemos pensar, desde logo, que vão terminar mal. A Febre das Tulipas não tem muitas surpresas e muitos acontecimentos são previsíveis, incluindo o final.
Relativamente ao elenco, posso dizer que é de luxo, mas isso não é suficiente para tornar o filme excelente. Alicia Vikander, Dane DeHaan, Christoph Waltz, Judi Dench, Cara Delevingne, Jack O’Connell, Holliday Grainger e Zach Galifianakis são os nomes que aqui podemos encontrar. 
A personagem de Alicia Vikander é muito idêntica a outras que já foram interpretadas pela atriz (por exemplo, em A Rapariga Dinamarquesa ou A Luz entre Oceanos) e esperemos que isto não leve a uma saturação da sua imagem. É de lembrar que neste filme temos também um reencontro entre Dane DeHaan e Cara Delevingne, que depois de Valerian e a Cidade dos Mil Planetas voltam a fazer parte do mesmo elenco – ainda que aqui as suas personagens não interajam muito uma com a outra.
A Febre das Tulipas não é um filme mau, porque até é bastante agradável de se ver e consegue mostrar um pouco do ambiente da Holanda no Séc. XVII. No entanto, no final do filme pensamos que tudo acontece muito rápido e é como muitos outros filmes que já foram feitos. 
Chegou esta quinta-feira, dia 12, às salas de cinema portuguesas!
6/10 ⭐

21 comentários:

  1. Eu estava a ponderar ver até esta tua review. Realmente, se é como contas, deviam ter tido em consideração esses aspetos. Um romance não começa do nada, e cenas de sexo em exagero enjoa. Obrigada pela opinião :)

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    1. Senti mesmo que este romance aparece do nada. Já estamos a contar que vai acontecer, mas não há indícios de amor. É uma pena, porque a cinematografia está muito bem...

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  2. First I've heard of it, I like the cast (who doesn't love Waltz?) but rotten tomatoes has it at 7% critics and 50% regular folks. Such a shame.

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  3. Ainda não tinha ouvido falar deste filme. Realmente com um elenco desses deixava mais a desejar. :)
    --
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    1. Pois, tem mesmo um elenco muito bom. A cinematografia também está boa, mas parece que o filme acontece em alta velocidade. É uma pena...

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  4. Já vi a Rapariga Dinamarquesa e adoro a Alicia Vikander. Sem dúvida, o enredo parece ser excelente. Vou ver!

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  5. Fico mesmo desiludida quando as partes fundamentais são trabalhadas de forma muito rápida, perde logo a essência toda, porque as coisas não são tão claras e até chega a dar um certo ar superficial.

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  6. Já vi o trailer e fiquei curiosa
    https://retromaggie.blogspot.pt

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  7. Obrigado minha querida :D

    Já te disse o quão fã sou de filmes de época, certo?! Acho que ia gostar muito de ver :D

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  8. Confesso que já vi o trailer e fiquei curiosa com o filme! :D

    amarcadamarta.blogspot.pt

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