quinta-feira, 20 de julho de 2017

"To the Bone" em análise

Depois de Okja, foi lançado no dia 14 de Julho este novo filme criado pela Netflix. To The Bone - ou, em português, O Mínimo para Viver - apresenta-nos Ellen, uma rapariga de vinte anos que sofre de anorexia. Antes do lançamento deste filme, a Netflix já tinha estreado a série 13 Reasons Why em que também somos confrontados com temas fortes - no caso dessa, o suicídio. 


Lily Collins veste a pele de Ellen, que, antes de mais, é uma artista. Dá muita importância à arte e faz desenhos que publica no seu Tumblr. Um dos pontos importantes do filme está precisamente relacionado com isto. Ellen, que mais tarde prefere ser tratada por Eli - porque o seu nome não se adequava à sua personalidade -, tem uma visão diferente da vida e os seus desenhos refletem isso. A sua perspetiva levou ao suicídio de uma rapariga que a seguia e este aspecto é referido várias vezes durante o filme e pode ter sido um dos vários factores que levaram Ellen até à anorexia. Também a sua relação com os seus familiares está longe do normal e de início parece que ninguém entende realmente o seu problema. 
A cada dia que passa a rapariga está mais magra. Existe até um momento em que a sua mãe diz que ela parece um fantasma. O problema é bastante visível e, por essa razão, Ellen vai a um médico que a leva a desafiar a doença. E é a partir daí que começa realmente a sua luta pela vida. 
O filme apresenta várias cenas que podem ser consideradas perturbadoras. Vemos o corpo extremamente magro da personagem, a enorme acentuação das costelas, o rápido crescimento dos pelos nos braços: todas as consequências da busca por um "corpo ideal" ou, como é óbvio, todos os efeitos da doença.
Lily Collins, que também teve problemas alimentares quando era mais nova, teve de perder peso para protagonizar este filme. Existe uma parte em que a personagem mete o polegar e o indicador à volta do braço e os dedos tocam-se - é uma maneira de mostrar o quão magra ela está.
Eli não tem interesse nenhum pela vida, tal como acontece a muitas pessoas que também sofreram de anorexia. To The Bone não pretende romantizar este problema; mostra tudo de uma maneira realista e direta, o que pode chocar muitas pessoas.
O único ponto negativo deste filme está talvez no final, que de inicio parece um pouco confuso. Mesmo estando tudo em aberto, podemos ter uma ideia do que poderá acontecer a seguir. Infelizmente, a maioria das pessoas que o viram ficaram desiludidas com esta parte - podia ter um fim mais explícito, mas de um certo modo está a par com a doença, porque nunca sabemos bem o que pode acontecer a seguir (tanto podemos estar bem ou mal) e assim cada um é capaz de imaginar uma continuação para Eli.
Por fim, ainda que não esteja muito relacionada com tudo o que acima está escrito, fica aqui uma das frases mais marcantes do filme.
"People say they love you. But what they mean is they love how loving you makes them feel about themselves." - Eli. 
6/10 ⭐ 

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