segunda-feira, 24 de julho de 2017

Correspondência por Correio

Hoje em dia, com tantas novas tecnologias que nos facilitam a vida, já quase ninguém envia cartas. Pode ser caro, demora muito tempo e dá trabalho. Mas o que poucos sabem é que ainda existe uma comunidade enorme de pessoas que ainda escrevem no papel e vão enviar envelopes cheios de amor aos Correios.
Há uns anos atrás, por mero acaso, descobri um site chamado Postcrossing, que desde logo pareceu-me interessante. Através deste site, depois de estarmos registados (para fazer o registo é preciso colocar a morada), podemos receber postais vindos de todos os cantos do mundo. É muito simples: no site há uma parte que diz "enviar um postal" e, assim que clicamos aí, é-nos dada uma morada completamente aleatória e um código que devemos escrever no postal que vamos enviar. Depois de uma longa viagem, o vosso correspondente vai receber o postal e vai registá-lo de seguida no site - através do tal código. Por cada postal que enviam, recebem um. Ou seja, assim que a pessoa faz o registo, a vossa morada é atribuída a outra pessoa. 
Durante muitos anos enviei e recebi postais através do Postcrossing, mas depois de algum tempo comecei a ficar triste porque as pessoas para quem eu enviava postais nunca respondiam. Então, decidi procurar algo diferente: alguma coisa que realmente permitisse uma correspondência constante, sempre com a mesma pessoa. 
Através do Instagram, descobri que existem muitas pessoas a enviar cartas. Para as encontrar basta procurar as hashtags #penpal, #snailmail, #penpalswanted, entre muitas outras. Quando procuram pela última, aparecem-vos pessoas à procura de penpals. "E o que é isso?", provavelmente questionam-se vocês neste momento. É simples: é um correspondente. E através desta rede social, depois de encontrarem alguém, basta enviar uma mensagem privada a essa pessoa para confirmar se ela está realmente interessada em enviar-vos cartas. De seguida é só escolherem quem vai enviar primeiro e trocarem as moradas. Pode parecer complicado, mas é tudo muito fácil!
Agora passemos à parte de escrever a carta em si. Basicamente só precisam de uma folha de papel, de uma caneta e de um envelope. Mas para tornarem tudo mais interessante podem fazer mail art, que, basicamente, é a arte de decorar as vossas cartas: podem usar autocolantes, fazer colagens ou desenhos, usar canetas ou folhas coloridas, decorar com washi tapes (fita cola decorativa)... Deem asas à imaginação! Lembrem-se que é sempre bom perceber que alguém se dedicou a fazer uma coisa para vocês. Não esperem receber uma carta muito boa se apenas enviam uma carta aborrecida! Eu digo sempre: "enviem algo que também gostariam de receber". 
Penso que também é preciso falar das vantagens de enviar cartas! Ainda que não haja muitas que posso referir. Eu diria que está mais no prazer de enviar e receber coisas escritas à mão. Enviar um e-mail ou uma mensagem é muito mais fácil, dá menos trabalho e não gasta tanto. Mas as cartas têm outro valor. Para alguém receber uma carta é necessário que outra pessoa deposite um enorme carinho naquilo que está a fazer. Um e-mail é algo momentâneo; uma carta é algo que vocês podem guardar numa caixa durante anos e mais tarde voltar a reler. E depois é também a viagem enorme que estas fazem para chegar aos correspondentes. É preciso paciência e há sempre aquela curiosidade de saber se a pessoa vai gostar ou não. Mas vocês podem fazer amizades enormes através disto. Posso referir um caso meu: uma penpal minha veio à zona onde eu moro no ano passado e eu fui ter com ela para fazer uma visita guiada pela vila e foi um dia muito engraçado porque a nossa amizade deixou de ser só através do papel. Tenho a certeza que através dos vossos correspondentes podem conhecer muito mais do mundo! E acreditem em mim quando digo que abrir a caixa do Correio e ter lá uma carta para nós (que não seja para pagar a eletricidade) é uma sensação muito boa!

4 comentários:

  1. Conheci esse conceito no meu 6º ano, a minha professora de inglês na altura fez-nos corresponder por carta com outras pessoas, a verdade é que eu nunca recebi resposta.

    Hoje em dia acho que não o faria, não me agrada que um estranho possa ter a minha morada, nunca sabemos quem está do outro lado... Acho mais seguro fazer isso com amigos e familiares, sobretudo os que estão no estrangeiro.

    MRS. MARGOT

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    1. Percebo o ponto de vista, mas pessoalmente nunca tive problemas e recebo coisas maravilhosas pelo Correio!

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